Uma das formas de entender a atuação bancária em um determinador lugar é a verificação da localização da sua sede. De acordo com dados do Departamento de Organização do Sistema Financeiro do Banco Central do Brasil na posição de 31/01/2012, o quantitativo de bancos por tipo, com sedes nas unidades da federação, aponta que no Nordeste temos a sede de 10 bancos, distribuídos da seguinte forma: 03 na Bahia, 01 no Ceará, 05 em Pernambuco e 01 em Sergipe, destes 02 são Bancos Públicos, no Ceará fica a sede do Banco do Nordeste do Brasil – BNB, um Banco Federal e em Sergipe, a sede do Banco do Estado de Sergipe – BANESE, um Banco Estadual. Como no Brasil temos 180 Bancos, o Nordeste tem a sede de 5,5% dos bancos que atuam no Brasil, é um percentual que não guarda correlação com o peso da população e nem com o peso do PIB da Região Nordeste.

Registre-se que o Nordeste ocupa 18,2% da área do Brasil, a população do Nordeste representa 28,9% da população brasileira e a sua economia equivale 13,5% do PIB do Brasil. Do lado Bancário, o Nordeste possui 11,5% do crédito bancário, chegando hoje a uma relação crédito/PIB de pouco mais de 5%, quando o Brasil praticamente está alcançando o patamar de 50%.  O BNDES possui uma publicação técnica (Visão do Desenvolvimento de n. 86), que reforça a tese de que os recursos para o Nordeste ainda são insuficientes para atender a demanda de crescimento da Região, portando entendo que ainda existe espaço para uma maior penetração do segmento bancário na Região Nordeste, algo que o segmento industrial e comercial já percebeu e está se inserindo no crescimento mais acelerado e recente da região.

Outra forma de avaliar a atuação dos bancos na Região Nordeste é a verificação do volume de recursos aplicados pelos Bancos na Região, abordarei a atuação de alguns de acordo com a relevância do seu volume de recursos.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES, de acordo com estatística disponível no site do próprio BNDES, revela que o Banco desembolsou na Região Nordeste, no ano de 2011, o montante de R$ 18.767,9 milhões, de um total de desembolsos de R$ 138.873,4 que o BNDES efetuou em 2011, ou seja, a Região Nordeste recebeu 13,5% dos desembolsos do BNDES em 2011, percentual que apresentou uma melhoria em relação ao ano anterior, cujo índice foi de 10,2%, com isso o BNDES aplicou dentro da lógica do peso do PIB da Região Nordeste.

O Banco do Brasil que é considerado o principal agente agrícola do país e tem na sua carteira de agronegócios um relevante papel financiador, o volume aplicado em 2011 foi de R$ 88.658 milhões e fechou ano de 2011, distribuindo as aplicações do agronegócio da seguinte forma: 75% nas Regiões Sudeste/Sul; 17,7% no Centro-Oeste e; apenas 4,3% no Nordeste e 2,5% no Norte. Vê-se que é possível o maior avanço da participação do crédito do Banco do Brasil no agronegócio do Nordeste que vem evoluindo através de novas fronteiras agrícolas, em especial no cerrado. De qualquer forma, vale registrar que o Banco do Brasil tem uma forte presença de agências bancárias na Região Nordeste ele responde por 35,2% das agências bancárias da Região.

O Banco do Nordeste do Brasil é o banco de desenvolvimento da Região, é um banco público regional e seus recursos são direcionados exclusivamente para a Região Nordeste e mais a área que abrange o território de atuação da SUDENE, no ano de 2011 o BNB aplicou R$ 21,8 bilhões em operações de crédito.

O Banco do Estado de Sergipe é o único banco estadual existente na Região Nordeste e seus recursos são direcionados para a economia sergipana, porém o seu cartão de crédito vem expandindo e conquistando os estados nordestinos.

O BIC Banco, um Banco privado que surgiu na Região Nordeste, mas que hoje tem sua sede em São Paulo-SP, aplicou no ano de 2011, 21,71% dos seus empréstimos  e financiamentos no Nordeste, o equivalente a um montante de R$ 2.509 milhões.

Do ponto de vista do quantitativo de agências bancárias, na posição de 31/01/2012, o Brasil possuía 21.290 agências espalhadas por 5.587 municípios. No Nordeste temos 3.221 agências bancárias, ou seja, 15,1% das agências bancárias do Brasil, distribuídas da seguinte forma entre os Estados: Alagoas – 175; Bahia – 951; Ceará – 450; Maranhão – 319; Paraíba – 229; Pernambuco – 567; Piauí – 152; Rio Grande do Norte – 190; e Sergipe – 188.

Destaque-se um estudo do IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada que aponta que se mantida a configuração atual da distribuição de agências no território, significa um mecanismo de manutenção de desigualdade. Além disso, o IPEA entende que cabe aos gestores de políticas articularem ações com estratégias de desenvolvimento que assegurem plenamente o aproveitamento do potencial de crescimento sustentado das economias locais, e este é o caso da Região Nordeste. Além disso, temos também o desafio de garantir a ampliação do acesso da população aos serviços bancários.
Entendo que a atuação dos Bancos na Região Nordeste deve ser pautada num processo permanente de cooperação técnica e intercâmbio de informações, preservando-se o sigilo bancário, algo que entre BNB e BANESE temos buscado desenvolver.

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