1. Saulo Fernandes, este foi o Carnaval de Saulo. Desde que lançou o álbum Veja alto, ouça colorido, em 2007, Saulo definiu sua personalidade na banda Eva (que já teve Ivete Sangalo) e iniciou seu processo de amadurecimento estético, (re)criando uma ligação do axé pop com suas raízes negras e investindo no formato canção acima de tudo. Neste Carnaval, ele atingiu a maturidade que imaginou, com uma credibilidade que o liga aos novos compositores e, também, ao Ilê Aiyê e outros pioneiros afros. Ao olhar para o passado, Saulo aponta para o futuro (e a Eva, com músicos ótimos e muito entrosamento, foi a melhor banda do Carnaval).

2. Claudia Leitte. Nenhuma cantora brilhou tanto quanto ela na folia, do figurino às apresentações. A controvertida performance no Rock in Rio, muito mais por causa das declarações da própria artista em redes sociais, parece que fez bem à cantora. No Carnaval baiano, Claudia nunca se mostrou tão segura quanto este ano e, também, mais natural, recuperando uma marca do seu começo de carreira. A maternidade agregou mais simpatia à loira. É assim que se faz: marketing e naturalidade bem dosados.

3. Léo Santana. Rebolation, em 2010, foi um hit nacional, mas no Carnaval de 2011 o Parangolé não brilhou. Uma produção, equivocada, tentou plastificar Léo demais – é preciso não matar a essência, mesmo quando o produto é bem produzido. Em 2012, mais experiente e com uma música interessante (Madeira de lei), Léo mostrou que é mesmo o melhor aluno de Xanddy (Harmonia do Samba) em competência e apelo sensual. E mais: a base percussiva do Parangolé se garante ao vivo.

4. Circulou. Parceria de Magary Lord, Leonardo Reis e Fábio Alcântara, gravada pelo Eva, a música parece saída do repertório pré-axé music de um Pepeu Gomes ou de um Moraes Moreira. Para virar hino de um Carnaval, a axé music já não precisa ser descerebrada e pode emplacar uma canção com D.N.A. de MPB e vocação para tocar durante todo o ano. Ah, Magary Lord, não vá se perder pelos caminhos do showbiz, tá?

5. Tomate. O cantor, às vezes, vacila e Uh, bebê não me parece um hit apropriado para um estado do Brasil que tem os maiores índices de gravidez na adolescência, mas, reconheço, a canção tem força e Tomate tem uma energia pop/axé/rock’n’roll acima da média como puxador de trio. Outro detalhe: ele, assim como Saulo Fernandes, nunca abandonou o circuito Campo Grande, o que criou uma certa empatia sua com o povão.

6. Cansados de guerra. Bell Marques, do Chiclete com Banana, e Durval Lelys, do Asa de Águia, têm muita história na axé music, é fato. Mas, gente estão cansados e demonstraram isso em caras & bocas e nas performances. Bell, paizão, pensa que pode passar o bastão por decreto para Rafa e Pipo: não pode, e ele, no fundo, deve saber disso. Os meninos precisam criar sua própria história. Já Durval, não tem herdeiro.

7. Mala. Daniela Mercury é a rainha da axé music, título conquistado na primeira metade dos anos 90 quando pegou uma cena regional e a projetou com ares pop para todo o Brasil. Com o tempo, porém, a cantora virou uma porta-voz turística (que o diga o DVD/CD Canibália) e uma artista que, na avenida, pensa estar num palco imóvel e faz shows que atrapalham o tempo, a dinâmica de outros colegas e trios. Alguns shows, aliás, têm qualidade estética duvidosa, mas são vendidos como de relevância artística (a ópera jorgeamadiana foi um deles).

8. Marcio Victor. Tenho um caso, ops!, um probleminha com o líder do Psirico. Um monte de gente bacana, incluindo músicos talentosos, me diz que ele é o máximo, que tem uma energia performática incrível, etc. Eu, que devo estar ruim da cabeça ou doente do pé, porém, vejo o Psirico passar (este ano, na Barra-Ondina, domingo, no início da madrugada), e presencio apenas um vocalista/músico com síndrome de neguinha da Ribeira. E com muita briga em volta da passagem da banda.

9. Ivete Sangalo. Depois de alguns anos de reinado feminino incontestável na folia momesca (amo esse clichê!) soteropolitana, a estrela não apresentou novidades e nem conseguiu emplacar a (fraca) música Qui belê. Hora de repensar conceitos, creio.

10. Hagamenon Brito. Criador do termo axé music (anos 80) e frustrado por não ter conseguido lucrar financeiramente com esse rótulo adotado pela indústria musical nacional, o jornalista pirou na couve e quer, cada vez mais, prolongar seus 15 minutos de fama. Sabe Deus onde esta criatura vai parar.

Link: http://www.correio24horas.com.br/blogs/pop-head/?p=3237

(BLOG POP HEAD – POR HAGAMENON BRITO, CORREIO 24 AM)

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