RIO – O cabo bombeiro Benevenuto Daciolo foi preso na noite desta quarta-feira, quando chegava no aeroporto do Galeão, no Rio. O bombeiro estava em Salvador participando das negociações da greve de policiais militares da Bahia. A prisão preventiva de Daciolo foi pedida pelo coronel Sérgio Simões, secretário de Defesa Civil do Rio, após conversas do militar, gravadas pela polícia baiana com autorização judicial, terem mostrados acertos para a paralisação se estender a outros estados, como Rio e São Paulo.Daciolo foi preso por policiais federais e bombeiros quando saía da aeronave e foi levado para o Quartel Central da corporação.

– Assim que cheguei ao aeroporto, fui abordado por policiais federais e bombeiros, antes mesmo de descer do avião. Ainda não sei quais são as acusações contra mim – disse Daciolo, por telefone, já no Quartel Central.

A esposa de Daciolo, Cristiane Daciolo, passou parte da madrugada desta quinta-feira, na porta do Quartel Central dos Corpos de Bombeiros, à espera de ser recebida pelo comandante da corporação, coronel Sérgio Simões. Cristiane foi até ao local à procura de informações sobre o marido, que segundo ela, havia sido retirado do QG, transferido para o Batalhão de Choque da Polícia Militar, e posteriormente encaminhado para um lugar sobre o qual não foi informada. Porém, no início da madrugada desta quinta-feira, um comunicado oficial do Movimento dos Bombeiros, informava que Daciolo havia sido conduzido para o complexo de presídios de Bangu. Essa informação não foi confirmada pelo Corpo de Bombeiros.

Segundo Cristiane, seu marido foi até à Bahia a convite de um Juiz da Auditoria Militar Federal, para ajudar na negociação da greve dos PMs daquele estado. Um defensor público esteva no Quartel Geral e também no Batalhão de Choque para tentar ter acesso ao mandado de prisão e saber o seu teor, mas não foi recebido por nenhum oficial.

Nas gravações, Benevenuto Daciolo aparece conversando com uma mulher, que pede para convencer os baianos a não encerrarem a greve para não enfraquecer uma eventual paralisação no Rio. E também se refere a uma pessoa “importantíssima” que poderia ajudar, no Congresso Nacional, a aprovar a PEC-300, que aumenta os vencimentos de policiais e bombeiros.

Ao saber das gravações, o governador Sérgio Cabral pediu ao governador da Bahia, Jaques Wagner, cópias das fitas para investigar a participação de bombeiros e policiais do Rio na articulação para greve.

Nesta quarta-feira, mais cedo, Cabral decidiu fazer uma contraproposta às reivindicações feitas pelas forças policiais do Estado do Rio. Ele anunciou que vai antecipar em duas parcelas – em fevereiro de 2012 e em fevereiro de 2013 – o reajuste concedido pelas leis 5.767 e 5.768 de junho de 2010 para bombeiros, policiais civis e militares e para agentes penitenciários. A proposta anterior, apresentada anteontem na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), previa a antecipação do pagamento das 35 parcelas de 0,9% em três vezes até outubro de 2013.

Além da antecipação do reajuste, o governador decidiu conceder às categorias um novo aumento em fevereiro de 2014 correspondente a duas vezes o índice de inflação do ano, além de outros benefícios. De acordo com o governo, todos os profissionais dessas categorias receberão a partir de 1° de fevereiro deste ano gratificação de Auxílio-Transporte no valor de R$ 100 por mês; terão a garantia de que não mais perderão gratificações de qualquer natureza caso sejam afastados do serviço por licença médica decorrente de acidente no trabalho; e ganharão um banco de horas extras.

A decisão foi tomada depois de uma reunião entre Cabral, a cúpula da segurança pública, os secretários Régis Fichtner, da Casa Civil, e Sergio Ruy, do Planejamento, e os deputados estaduais Paulo Melo, presidente da Alerj, e André Correa, líder do governo na Assembleia. E vai ao encontro da maior parte das emendas apresentadas ao projeto na tarde de anteontem.

Das 79 modificações apresentadas, 19 pediam a antecipação dos reajuste concedido em 2010 em menos parcelas e 15 pediam um reajuste maior aos salários dos policiais e bombeiros. Segundo o governo, a antecipação representará um esforço econômico adicional em 2013 de cerca de R$ 350 milhões.

De acordo com o deputado André Correa (PSD), líder do Governo, a proposta, que será levada nesta quarta-feira ao parlamento, atende a uma série de reivindicações das categorias:

– Nós confiamos no espírito público e na responsabilidade dos servidores da segurança pública do estado. O governo vai fazer um grande esforço fiscal de forma a conceder este aumento, de quase 40%, em apenas um ano. Além disso, sinalizou um novo aumento salarial, bastante significativo em 2014. Com isso, o salário base de um soldado da PM, que em 2007, quando o governador assumiu, era de R$ 700, chegará a R$ 2.100 em fevereiro do ano que vem. E a quase R$ 3.000 em 2014.

Para deputados da oposição, a proposta representa um ganho, mas não atende as expectativas de policiais e bombeiros.

(AGÊNCIA ESTADO)

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