Ex-deputado federal Pedro Talvane Albuquerque e quatro assessores foram considerados culpados por homicídios duplamente e triplamente qualificados pela morte da deputada alagoana e de mais três pessoas, assassinadas há 13 anos

Ceci Cunha, assassinada em 1998, e Talvane Albuquerque, condenado pela autoria intelectual do crime


19 de Janeiro de 2012

Fernando Porfírio _247 – A Justiça Federal em Alagoas condenou na madrugada desta quinta-feira (19) o médico e ex-deputado federal, Pedro Talvane Luiz Gama de Albuquerque a 103 anos de prisão pela morte da deputada federal Ceci Cunha e mais três pessoas que estavam com ela. Além de Talvane foram condenados outros quatro acusados da chamada “chacina da Gruta”. O total das penas dos acusados chegou a 475 anos de prisão.

A sentença do Tribunal do Júri foi apresentada pelo juiz federal André Tobias Granja. O ex-deputado e então suplente de Ceci foi condenado a prisão pela autoria intelectual dos quatro assassinatos, com agravante de se tratar de motivo torpe –para conquistar um mandato na Câmara – e sem possibilidade de defesa da vítima.

Os quatro acusados de autoria material do crime também foram condenados pelo júri. Jadielson Barbosa da Silva, Alécio César Alves, Mendonça Medeiros da Silva e José Alexandre dos Santos, conhecido com “Zé Piaba”, foram condenados pela autoria da chacina, com agravantes de se tratar de um motivo torpe – em troca de recompensa – e sem possibilidade de defesa para a vítima.

Jadielson Barbosa da Silva e José Alexandre dos Santos, conhecido com “Zé Piaba”, pegaram penas de 105 anos cada um. Alécio César Alves foi condenado a 87 anos e três meses de prisão e a Mendonça Medeiros da Silva foi aplicada a pena de 75 anos e sete meses.

Os quatro condenados, que são assessores do ex-deputado, foram condenados pela autoria material da chacina, com agravantes de se tratar de motivo torpe – em troca de recompensa – e sem possibilidade de defesa para as vítimas.

Ceci Cunha foi assassinada a tiros em dezembro de 1998, horas depois de ser diplomada deputada federal por Alagoas. Os outros mortos foram o seu marido, Juvenal Cunha; o cunhado, Iran Carlos Maranhão; e a mãe de Iran, Ítala Maranhão. No momento do crime, as vítimas preparavam uma comemoração na casa de Iran, no bairro Gruta de Lourdes, em Maceió (AL).

Investigações levaram o Ministério Público Federal (MPF) a denunciar, como mandante do assassinato, Pedro Talvane Luís Gama de Albuquerque Neto. Ele era suplente de Ceci Cunha e, com a morte da parlamentar, assumiu em seu lugar o mandato de deputado federal. Por seu envolvimento no crime, foi cassado pela Câmara dos Deputados em 1999.

O crime

Ceci Cunha foi assassinada na noite do dia 16 de dezembro de1998, instantes após ser diplomada para o segundo mandato de deputada federal. No momento em que foi baleada, Ceci estava com uma margarida nas mãos, sentada em cadeira na varanda da casa da irmã, no bairro da Gruta de Lourdes.

No momento em que os pistoleiros invadiram a casa, Claudinete – irmã de Ceci – foi a única que conseguiu fugir e se escondeu embaixo de uma cama até a fuga dos atiradores. Os demais presentes à casa foram mortos na varanda, sem chance de reação.

Além de Ceci, as vítimas da chacina foram o marido de Ceci, Juvenal Cunha; o cunhado da deputada, Iran Carlos Maranhão; e a mãe de Iran, Ítala Maranhão.

Após o crime, Talvane ainda chegou a tomar posse na Câmara Federal, em fevereiro de 1999, mas foi cassado no dia 8 de abril por quebra de decoro parlamentar. No mesmo dia, ainda em Brasília, foi preso, mas respondeu o processo em liberdade.

(Via site Brasil 247)