Maurílio Touro

Em seu primeiro evento com entrada franca, o 13º Iron Man Championship foi um sucesso de público e levou cerca de 3 mil pessoas ao Hangar, em Belém, na noite desta quinta-feira (11), para assistir a um grande espetáculo em que 9 dos 11 combates foram decididos por nocaute ou finalização. O cearense Maurílio Touro e o paranaense Daniel Acácio saíram do octógono com os cinturões interinos das categorias até 84 kg (Touro) e 77 kg (Acácio).

Apesar de realizar um evento gratuito, a organização do Iron Man não conseguiu evitar que cambistas vendessem ingressos por até R$ 30,00, na porta do Hangar. De acordo com a coordenação, 3 mil entradas foram distribuídas gratuitamente no shopping Boulevard, durante a semana, com o limite de um ingresso por pessoa. Como já era de se esperar, os cambistas se aproveitaram da situação para lucrar em cima de um dos eventos de MMA mais tradicionais do Pará.

Este é apenas um dos vários pontos que precisam ser melhorados para que o Iron Man Championship possa ser encarado de fato como um dos maiores eventos de MMA do Brasil – título que os organizadores atribuem a ele. Aos olhos do público, o evento pareceu perfeito. Mas, para quem o acompanhou de perto, desde que foi anunciado pela primeira vez, a desorganização é visível.

JAMIL SILVEIRA

A principal delas atinge o produto principal do Iron Man, que são as lutas. O card do evento foi divulgado somente no dia 3 de janeiro, junto com o cartaz oficial. De lá até a realização do evento, foram nada menos do que 8 alterações no card, atingindo inclusive os dois combates principais da noite: as disputas de cinturão entre Maurílio Touro e Jacob Quintana (que substituiu o piauiense Edvan Sakuraba) e Daniel Acácio x Ari

marcel Chocolate (no lugar de Renan Vírgula).

Como não assinam contrato com a organização, os lutadores cancelam sua participação sem dar a mínima satisfação. O valor dos cachês não é divulgado, mas estima-se que alguns atletas ganhem a partir de R$ 500,00 para entrar no ringue. Os bem cotados recebem bolsas que giram em torno de R$ 2 mil.

Apesar das falhas na organização, o Iron Man continua mostrando que tem o seu valor e pode se firmar como um dos mais importantes do Brasil. É inegável o esforço dos seus organizadores em fazer um evento à altura das aspirações do público.

Nesta edição, o Iron Man utilizou pela primeira vez um octógono, ringue de oito lados muito mais apropriado do que ringue de cordas usado até a 12ª versão do evento.

O empresário Glaydson Iron Man Tomaz trabalha com seriedade para manter o Pará entre os maiores exportadores de talentos do MMA no Brasil – a exemplo de Lyoto Machida e Yuri Marajó, ambos no UFC, e Luis Sapo, atleta do Bellator.

O Iron Man 13 tem ainda o mérito de ter trazido a Belém o ex-campeão do UFC Maurício Shogun Rua, aplaudido de pé pelos paraenses – que não levaram em conta o fato de Shogun ter sido o “carrasco” que tirou o cinturão de campeão do UFC das mãos de Machida.

As duas próximas edições do Iron Man Championship já estão agendadas (27 de janeiro, em Castanhal, e 29 de março, de volta a Belém). O paranaense Daniel Acácio, agora com o cinturão interino da categoria 77 kg, enfrentará o maranhense Thiago Baía, que derrotou o paraense André Lobato. O cearense Maurílio Touro, vencedor do cinturão interino na categoria 84 kg, aguarda o vencedor do combate Wendell Negão x Luis Sapo, previsto para o Iron Man 14.

DA ESTAÇÃO PARA O HANGAR

A organização do Iron Man chegou a anunciar em cartazes, folders e outdoors espalhados pela cidade que o evento seria na Estação das Docas. A mudança para o Hangar ocorreu quatro dias antes do evento, deixando várias pessoas confusas.

Falando em cartazes, erros grosseiros apareceram no material impresso divulgado pelo evento. Sem cuidado com o texto, o cartaz traz “trasmissão” no lugar de “transmissão” e a palavra “informaões” foi impressa no lugar de “informações”. Nem o ex-campeão do UFC Maurício Shogun Rua, um dos árbitros oficiais da noite, foi poupado. Seu nome aparece como “Mauirício”.

Fora isso, o cartaz também traz erros de informação. Os nomes das ring girls Gelta e Rayana Correa foram trocados um pelo outro. O cartaz divulga ainda o site http://www.ironmanfight.com como oficial, mas o endereço não trazia nenhuma informação sobre o evento e agora está fora do ar.

Confira os resultados do Iron Man 13:

1º Combate: Scorpion [PA] venceu Thayo Silva [PA] por finalização (arm-lock), a 1min.20s. do 1º round

2º Combate: Junior Suicida [PA] derrotou Cesar Buiu por finalização (arm-lock), a 2min.47s. do 2º round

3º Combate: Mayckison Souza [PA] venceu Fabrício Roxo [PA] por finalização (mata-leão), aos 4min.48s. do 2º round

4º Combate: Bininho Negrão [PA] venceu Lucas Granolla [MA] por nocaute técnico (TKO), a 2min.57s. do 1º round

5º Combate: Giovane “Irmão Geo” Fernandes [PA] derrotou Ivan Pitbull [PA] por nocaute, a 48s. do 1º round

6º Combate: Bruno Carioca [PA] venceu Fábio Fogo [CE] por decisão unânime dos juízes

7º combate: Jamil Silveira [CE] venceu Daziel Macaco Jr. [PA] por decisão unânime dos juízes

8º Combate: Iliarde Santos [PA] derrotou Daniel Pac Man [MA] por nocaute, a 1min.57s. do 1º round

9º Combate: Maurílio Touro [CE] venceu Jacob Quintana [ARG] por finalização (leg-lock), no 2º round

10º Combate: Thiago Baía [MA] derrotou André Lobato [PA] por nocaute, a 2min.45s. do 1º round

11º Combate: Daniel Acácio [PR] derrotou Arimarcel Chocolate [PE] por nocaute, a 4min. do 1º round.

Link: http://www.diarioonline.com.br/noticia-183372-desorganizacao-nao-tirou-o-brilho-do-iron-man-13.html

(Via portal DIÁRIO ONLINE)