Foto: Divulgação

Mensagem de Serra, que deveria ser privada, era uma crítica ao procurador-geral da Assembleia Legislativa do Ceará, Reno Ximenes; foi uma tentativa de afago político em Kamyla Castro, do PSDB cearense, pouco chegado em Serra; “Decoro faz parte do fascismo”, diz suposto procurador “sem decoro” ao 247

11 de Janeiro de 2012

Diego Iraheta _247 – O mistério sobre o tuíte que José Serra deletou após publicar está praticamente solucionado. A mensagem privada, que deveria ser uma DM mas foi compartilhada por @joseserra_ em sua timeline, tinha destinatário certo: a secretária-geral do PSDB em Fortaleza, Kamyla Castro. Foi um agradecimento à nota enviada pela tucana ao Blog do Eliomar sobre o procurador-geral da Assembleia Legislativa do Ceará, Reno Ximenes. Foi também uma tentativa de aproximação política de Serra do ninho tucano cearense, dominado pelo clã Jereissati – adversário histórico do ex-governador de São Paulo.

O enrolado tuíte de Serra dizia: “Parabéns pela nota e obrigado pela defesa. O procurador é da turma do MSD: movimento dos sem decoro”. De férias no exterior, o suposto procurador do MSD se prontificou a atender a reportagem do 247. Reno Ximenes prefere acreditar que Serra não se referia a ele. “Se tiver feito, faria sentido o trânsito de informações entre o Ceará e São Paulo acerca do tema, pois ele estaria agradecendo alguém daqui”, ressaltou.

O imbróglio começou com um editorial da Folha de S. Paulo, na quinta-feira, 5, contra a greve dos policiais militares e bombeiros no Ceará. O jornal criticava o governador Cid Gomes por ter elevado o piso salarial dos PMs para R$ 2.634 – “mais que os atuais R$ 2.366 de São Paulo”. A comparação, que deixava SP na pior, provocou a revolta do procurador da Assembleia Legislativa do Ceará, Reno Ximenes. Ele decidiu enviar uma nota ao blogueiro Eliomar de Lima, badalado formador de opinião da população cearense.

“O Editorial [da Folha] foi escrito no Ceará e mandado, via email, para o tucano José Serra por seus aliados daqui”, acusou Ximenes. Ele também chamou a Folha de “Diário Oficial de São Paulo”. Diante da artilharia do procurador, que assinava a nota como “advogado”, a secretária-geral do PSDB de Fortaleza reagiu. Apenas algumas horas depois, Kamyla mandou uma resposta ao Blog do Eliomar, classificando de “estapafúrdia” a declaração do procurador e de “ignominiosa” (desonrosa, indecorosa) a conduta dele.

De fato, não houve uma defesa de Serra, mas sim da Folha, além da condenação de Ximenes. Mas o 247 fez um pente-fino na rede e não encontrou outra nota recente que tenha qualquer relação com o ex-governador e a menção a um procurador. O tuíte de gratidão de Serra foi claramente calculado como afago político numa atmosfera tucana povoada por apadrinhados de Tasso Jereissati, como a própria Kamyla, conforme mostram imagens publicadas por ela mesma na internet. Tasso e Serra nunca se bicaram.

“Prefiro a democracia a garantir decoro”

Ao 247, o próprio procurador Reno Ximenes revelou que é próximo ao PSDB cearense. Os “aliados” de José Serra a que ele se referiu no blog eram outros. “Tenho muitos amigos no PSDB e na minha nota não há referência ao PSDB. Não tenho orientação de ninguém, não sou cavalo de batalha e nunca serei”, disse.

Mesmo sem cravar que é o “homem sem decoro” do tuíte de Serra, o procurador Reno Ximenes se defendeu. “O decoro é conceito criado em confrarias; baseado em dogmas, não faz parte das democracias. Prefiro a liberdade e a democracia a garantir decoro… Decoro faz parte do fascismo onde os grupos de protegem entre si – com ou sem virtudes”, rebateu.

O 247 procurou José Serra e Kamyla Castro pelo Twitter. Os tuítes do jornal, públicos, foram ignorados.

(Via Brasil 247)

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