Transferência da participação de 4,41% da operação brasileira para “uma instituição financeira internacional de grande porte” permitiu ao banco espanhol atingir a meta de 9% de capitais próprios exigida pela Associação Bancária Europeia. A sangria foi estancada?

10 de Janeiro de 2011.

247 – O banco espanhol Santander SA atingiu a meta de 9% de capitais próprios exigida pela Associação Bancária Europeia. O banco espanhol precisava captar 15,3 bilhões de euros (US$ 19,46 bilhões) para atender as novas regras determinando mais capital de reserva. A reviravolta no caso se deve ao Brasil.

O maior banco da zona do euro em valor de mercado transferiu o equivalente a uma participação de 4,41% do Banco Santander (Brasil) SA para “uma instituição financeira internacional de grande porte”, que por sua vez, transferirá as ações para os portadores de títulos conversíveis emitidos pela filial brasileira do Santander em outubro de 2010. As informações são do Wall Street Journal.

Com a transferência, o Santander passa a contabilizar esse crédito como parte do capital mínimo exigido pelos critérios da associação bancária, em vez esperar até outubro de 2013 para realizar a conversão.

O portador dos títulos conversíveis brasileiros é o fundo soberano do Catar, Qatar Holding, que os comprou por US$ 2,72 bilhões. O acordo no Brasil “é uma maneira de obter agora os benefícios da transação, e foi isso que me surpreendeu”, disse o analista Juan Pablo López, do Banco Espírito Santo.

Para garantir uma boa capitalização, o Santander planeja manter até o fim de junho de 2012 uma reserva de capital de 10%. Para isso, o banco vendeu recentemente uma participação na subsidiária chilena, bem como um banco de pequeno porte na Colômbia. O Santander também converteu recentemente ações preferenciais em novas ações ordinárias, contabilizando um ganho de 1,94 bilhão de euros, enquanto outros 1,66 bilhão de euros foram gerados pelo pagamento dos dividendos em ações em 2011, em vez de em dinheiro.

Além disso, o Santander planeja para outubro converter em ações 6,83 bilhões de euros em títulos que emitiu quatro anos atrás para pequenos investidores espanhóis. Basta saber se os esforços de emergência serão suficientes para estancar a sangria dos espanhóis.

Enquanto isso, o Brasil segue carregando o grupo nas costas.

(Via Brasil 247)

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