FOTO: VIVIANE PINHEIRO - A jovem Adriana Nunes Chaves, 19, foi a primeira mulher no Brasil a tirar o 1ºlugar do Instituto Militar de Engenharia (IME)

Tradição e investimento nas escolas cearenses são a receita dos bons resultados nas provas e concursos nacionais

As mais de 13 horas diárias que a estudante Adriana Nunes Chaves, 19, dedicou para os estudos lhe renderam bons resultados. Ela foi a primeira mulher a passar em 1º lugar no Instituto Militar de Engenharia (IME) e recebeu ontem a notícia da sua aprovação no Instituto de Tecnologia Aeronáutica (ITA).

“O que faz a gente se sair bem é que cada vitória é um estímulo a mais para continuarmos nos dedicando. Os colégios nos ajudam muito também”, diz a garota medalhista, dona de um sorriso de uma orelha a outra.

Contudo, as conquistas não se restringem apenas à Adriana, mas à centenas de alunos cearenses que se destacaram nos concursos mais concorridos do País. Dos 120 aprovados do ITA, 40 são de Fortaleza, 33% do total.

No IME, dos 398 aprovados – entre ativos e reservistas – 111 são cearenses, 27% do grupo. Os resultados, entretanto, não param por aí. Dos 120 medalhistas na Olimpíada Brasileira de Física de 2011, 37 moram na Capital. Dos 34 premiados na Olimpíada Brasileira de Química, por exemplo, 15 são do Ceará.

Para o coordenador geral da turma ITA do Colégio Farias Brito, Teixeira Júnior, o Ceará é destaque nacional tanto qualitativamente como quantitativamente. “Temos chamado muito atenção lá fora. Já estamos sendo reconhecidos pelos próprios organizadores dos concursos que perguntam qual o nosso segredo para aprovar tanto”, comenta Júnior. A estrutura dada para os alunos, com turmas especiais e professores qualificados, fazem a diferença nas provas.

Tradição

O diretor da Seara da Ciência da Universidade Federal do Ceará (UFC), Marcus Vale, vibra com o sucesso dos cearenses, mas diz que não é sorte, mas sim preparação e dedicação. Ele até brinca comentando que os paulistas, por exemplo, estariam com raiva dos fortalezenses. “Temos uma certa tradição. Nas provas do ITA, por exemplo, sempre levamos em torno de 40% das vagas. Há um pesado investimento e uma estrutura que garante qualidade e dedicação dos alunos. Há uns 20 anos que estamos tendo bons resultados”, afirma. O diretor conta também que os “prêmios” financeiros dados pelas escolas também estimulam.

Para Wagner Andriola, professor da Universidade Federal do Ceará, o mérito é mais dos alunos e dos familiares que apoiam, vibram e sofrem juntos. “Atesta-se que a aposta no potencial, através da educação, pode conduzir os indivíduos ao pleno êxito. Não é o ingrediente que falta à educação pública?”, questiona.

IVNA GIRÃO – DIÁRIO DO NORDESTE

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