De Jean-Louis De la Vaissiere (AFP)

ROMA — O crescimento do islamismo no mundo árabe preocupa os cristãos do Oriente e seus aliados ocidentais estão divididos entre o desejo de defendê-los abertamente e evitar seu estigma.

A dificuldade de prever a saída da atual fase transitória foi destacada durante um colóquio, organizado esta semana, pelo Centro Cultural Francês de Roma.

No Egito, na Tunísia, na Líbia, no Marrocos, na Síria, no Iêmen e no Iraque, o islamismo está avançando e as ameaças salafistas incitam os cristãos a emigrar. Vários religiosos, sobretudo libaneses, que assistiam ao colóquio tomaram a palavra para prever “um futuro negro” e um deles chegou até a expressar seu temor de um genocídio de cristãos.

Como 30 e 40 mil coptas já abandonaram o Egito desde o mês de março, todos os participantes no colóquio lembraram que a partida dos cristãos serve à causa dos islâmicos e empobrece a diversidade da região.

Uma saída maciça seria uma catástrofe, segundo o monsenhor Jean-Louis Tauran, presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Interreligioso que pediu às comunidades presentes que, diante do aparecimento do Islã, permaneçam no mesmo lugar.

“Para isso é necessário visitá-los, não dar a eles a impressão de que estão isolados”, aconselhou.

O monsenhor Tauran enfatizou também a importância do diálogo interreligioso. “Nas muito difíceis condições atuais, só o diálogo pode nos salvar”.

Este “ex-ministro das Relações Exteriores” do Vaticano aconselhou aos cristãos do Oriente “não ficar repetindo muito que são uma minoria”. “São uma minoria que conta”, enfatizou.

Se, por um lado, o cristão continua sendo, com frequência, “um cidadão de segunda categoria”, as elites árabes são sensíveis ao papel que desempenham as escolas e universidades católicas onde seus filhos costumam estudar, observou.

Os cristãos desempenham, da mesma forma, segundo ele, um reconhecido papel de facilitadores na crise e de ponte com o Ocidente.

Uma preocupação maior surge da frequente ausência de estatuto jurídico dos cristãos, segundo o monsenhor Tauran.

Inclusive na Jordânia, observou, onde as coisas funcionam bem graças à proteção do rei, “não temos em mãos nenhum documento, nenhum acordo” se a situação se modificar.

Para Joseph Maila, diretor dos assuntos religiosos da chancelaria francesa, “apesar das revoluções árabes terem surgido em nome dos valores universais”, as declarações de alguns novos dirigentes “são inquietantes”.

O que pode fazer a França, antiga potência do Oriente Médio? A linguagem sobre a proteção dos cristãos do Oriente já foi superada e se concentrar em uma comunidade pode ser contraproducente: “não os protegemos, nos preocupamos com indivíduos que são perseguidos por suas convicções religiosas”, disse.

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