Para 46% dos entrevistados, a pessoa que mais inspira não é uma personalidade famosa, como se poderia supor: é a mãe. Entre os famosos mais admirados estão: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (19%); Silvio Santos (10%); Ivete Sangalo e Ronaldo Fenômeno (6% cada um). Entre os ídolos mais citados estão Jesus Cristo (10%); Lula (7%); Chico Xavier e Ronaldo Fenômeno (5% cada um). Entre as empresas, os entrevistados apontaram aquelas que mais contribuem para um mundo melhor – Natura (25%); Ypê (15%); e Petrobras (14%).

Que pessoas e quais valores, no mundo atual, são capazes de inspirar as pessoas a ponto de realmente transformá-las e de levá-las a evoluir? Que figuras, personalidades, são as mais admiradas e em quais as pessoas mais se inspiram? E até que ponto a inspiração captada nas mais admiradas é capaz de transformar a vida das pessoas incentivando a sua evolução? Inspiração para a mudança não é um achado fácil. Nessa época em que a virada do ano se aproxima, todos se perguntam quais as prioridades para o Ano-Novo: o que gostariam de mudar e como mudar? Estudo qualitativo e quantitativo Quem me inspira? – realizado pela Giacometti Comunicação e coordenado por Dennis Giacometti – revela onde os brasileiros buscam inspiração no dia a dia de suas vidas, para evoluir, mudar, aprender e para se tornar um ser humano melhor.

Em resposta à pergunta “quem te inspira?”, os entrevistados não citaram Dalai Lama, o papa ou outras personalidades de destaque. Em primeiro lugar, apareceu a mãe, pessoa que mais inspira, apontada por 46%; em segundo, o pai (33%); em terceiro, o amigo e os irmãos (10% das indicações cada). As respostas a essa questão estampam a importância da família como fonte de inspiração das pessoas. Em resposta estimulada e múltipla (primeira citação), 73% dos entrevistados identificaram a família também como a instituição que mais contribui para a sua formação pessoal, seguida pela religião, com 11%.

A pesquisa traz um conteúdo riquíssimo para o conhecimento das pessoas. “Investimos muito, na agência Giacometti Comunicação, no conhecimento como fonte para a inovação e nosso objetivo com esse estudo foi aferir quais os fatores que têm impacto na vida do indivíduo e de que maneira são capazes de transformá-lo. O estudo, além de estar alinhado aos objetivos da agência de cada vez mais entender de gente para produzir uma comunicação inovadora no conteúdo e na forma, é uma matéria-prima para aprofundar o conhecimento das pessoas hoje”, destaca Dennis Giacometti, presidente da Giacometti Comunicação e coordenador do estudo. A pesquisa teve duas fases, a qualitativa e a quantitativa, na qual foram entrevistadas 400 pessoas divididas em classe AB (100 homens e 100 mulheres) e classe C (100 homens e 100 mulheres).

E quais os famosos mais admirados? Em resposta espontânea (duas citações), os 10 mais citados foram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (19%); Silvio Santos 10%; e Ivete Sangalo e Ronaldo Fenômeno (6% cada um). O livro mais marcante lido pelos participantes do estudo é a Bíblia Sagrada, mesmo assim indicada por apenas 8% dos entrevistados, seguida por Ninguém é de Ninguém, O Pequeno Príncipe e Nosso Lar, com 2% de indicações cada. E foram marcantes principalmente pelo impacto no plano espiritual (18%), porque estimularam o hábito de ler (17%) e para o sentido da vida (15%).

Em resposta espontânea e múltipla, os entrevistados elencaram quem são os seus ídolos. Os cinco mais citados estão: Jesus Cristo (10%); o ex-presidente Lula (7%); Chico Xavier (5%); Ronaldo Fenômeno (5%); pais (4%); Ayrton Senna (4%). Entre as razões que justificam ser um ídolo, estão, principalmente, o talento (37%); a humildade (20%); o exemplo de vida (12%); fé (12%); persistência e garra (11%); e solidariedade (9%).

Destaques da pesquisa (considerando até as três primeiras indicações dos entrevistados, pela ordem):

  • a falta de tempo é apontada como o principal problema nas relações amorosas (29%);
  • a falsidade é o principal problema das relações de amizade (39%);
  • o respeito é o atributo mais admirado em uma pessoa (39%);
  • a mãe é a pessoa mais próxima dos atributos que se espera dos outros (52%)
  • a mãe é a pessoa que mais inspira (46%);
  • entre os famosos mais admirados estão: ex-presidente Lula (19%); Silvio Santos (10%); Ivete Sangalo e Ronaldo Fenômeno (6% cada um);
  • entre os famosos mais admirados nas artes estão: Fernanda Montenegro (8%); Toni Ramos (7%); e Cláudia Raia e Ivete Sangalo (4% cada);
  • famosos mais admirados na política: ex-presidente Lula (55%); Marta Suplicy (19%); José Serra (12%);
  • famosos mais admirados que trabalham para o bem comum: ex-presidente Lula (21%); Renato Aragão (11%); Silvio Santos e Marta Suplicy (10% cada um);
  • famosos mais admirados na religião: Padre Marcelo Rossi (36%); Chico Xavier (15%); Papa (13%);
  • ídolos mais citados: Jesus Cristo (10%); Lula (7%); Chico Xavier e Ronaldo Fenômeno (5% cada um);
  • razões para ser um ídolo: talento (37%); humildade (20%); exemplo de vida e fé (12%);
  • empresas que contribuem para um mundo melhor: Natura (25%); Ypê (15%); Petrobrás (14%);
  • o que falta para um mundo melhor: saúde, emprego, educação (49%); mais tolerância / paciência (30%); melhores políticos (27%).

“Existem alguns ídolos, revela o estudo, porém é importante observar que o movimento de admiração ou idolatria não contribui para a transformação do indivíduo, apenas o torna um objeto de referência, uma possibilidade, uma esperança”, afirma Giacometti. O estudo destaca que as transformações, as evoluções do “eu mesmo”, em um mundo difícil e ensimesmado como o atual, acontecem na esfera privada de luta e de superação cotidiana, dispensando a figura do líder e do mestre. “Em essência, em sua maioria, as pessoas seguem o caminho do ´sou eu comigo mesmo´ e todo aquele que vence, que lutou, `como eu estou lutando, é fonte de referência, de balizamento, de admiração, não importando muito como chegou até lá”, destaca o presidente da Giacometti.

Dividida em quatro tópicos básicos – o Eu, o Outro, Admiração e Mundo Melhor – a pesquisa quantitativa traz revelações surpreendentes. No tópico Eu, com questões relacionadas à própria pessoa, os entrevistados identificaram suas principais virtudes (respostas espontâneas e múltiplas), pontuando entre as três primeiras a honestidade (52%); simplicidade (36%); e coragem (30%). Já os defeitos mais apontados em si mesmos foram ansiedade (56%); irritação (39%); e impaciência (29%), defeitos que dizem respeito, segundo Giacometti, “a um mal estar social com características típicas de stress urbano” e que revelam que “a realidade da vida na grande cidade contemporânea traz um acúmulo de tensões que dificultam o relacionamento entre as pessoas”.

À pergunta quem te inspira, com resposta espontânea (duas citações), os entrevistados confirmaram a importância da família em suas vidas: em primeiro lugar, a mãe, pessoa que mais inspira, apontada por 46%; em segundo, o pai (33%); na sequência, o amigo (10%) e os irmãos (10%); filhos (7%); outros parentes (6%); esposa (6%); empatados em quinto lugar, com 5%, aparecem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva; o marido e os avós; e também empatados em 6o lugar, com 4%, pessoas do trabalho e namorado (a).

Ponto central da pesquisa, as respostas a essa questão estampam, segundo Giacometti, que “a figura dos pais desponta como a admiração mais próxima e acessível, bastante associada à gratidão, à medida que são, na visão das pessoas, os grandes responsáveis pela sua constituição pessoal”. A família surge como fonte de inspiração, mas essencialmente na figura do pai e da mãe. Mesmo assim, em um cenário de dificuldades na relação com o outro, no qual predomina a percepção de que as pessoas querem levar vantagem nas relações; a pesquisa revela também que a generosidade imbuída na figura materna / paterna gera uma admiração quase egoísta, a ideia do “fez por mim quando nada se faz por ninguém”.

Atributos dos famosos mais admirados

Para situar que papel têm os famosos na vida das pessoas, a pesquisa identificou também os atributos mais admirados em personalidades conhecidas do grande público (respostas espontâneas e múltiplas). Pela ordem, os atributos mais citados foram: humildade (44%); vida sem escândalos (15%); honestidade (13%); ser batalhadora (12%); e transparência (11%). A percepção das classes é semellhante, com pequenas variações percentuais, à exceção do quesito humildade, mais admirado pela classe C (47%) do que pela AB (40%).

Em uma das frases de concordância – “Sempre que vejo pessoas que deram certo e vieram de baixo, me dá esperança de que também posso chegar lá” – os resultados para a classe AB foram: 69% concordam totalmente; 23% concordam parcialmente; 2% discordam totalmente; e 6% discordam parcialmente. Já na classe C, 77% concordam totalmente; 15% concordam parcialmente; 2% discordam totalmente; e 5% discordam parcialmente.

Dois aspectos se destacam na atribuição de elementos de admiração:

  • a postura do “famoso” é mais importante que os atributos intrínsecos a ele. A humildade é um mecanismo de “devolução” do famoso para o público – constitui a retribuição de um afeto e ilustra a acessibilidade à figura pública.
  • a admiração assume a perspectiva de “espelho”: é uma referência que encoraja a determinação – “também posso chegar lá”.

Mesmo assim, o distanciamento e a desconfiança são sempre recomendados, como expressa a frase de concordância a seguir:

  • “Por mais que eu admire um famoso, nunca se sabe como ele é de verdade”
    • classe AB: concorda totalmente (70%); concorda parcialmente (18%); discorda totalmente 5%; e discorda parcialmente (7%).
    • Classe C: concorda totalmente (74%); concorda parcialmente (15%); discorda totalmente 3%; e discorda parcialmente (8%).

E quais os famosos mais admirados? Em resposta espontânea (2 citações), os 10 mais citados foram:

  • Ex-presidente Lula……….19% (AB 18%; C 20%)
  • Silvio Santos……………….10% (AB 10%; C 9%)
  • Ivete Sangalo……………… 6% (AB 5%; C 6%)
  • Ronaldo (Fenômeno)……. 6% (AB 4%; C 7%)
  • Marta Suplicy…………………4% (AB 5%; C 3%)
  • José Serra……………………..4% (AB 4%; C 3%)
  • Jô Soares………………………4% (AB 4%; C 3%)
  • Xuxa……………………………..4% (AB 4%; C 3%)
  • Pelé………………………………3% (AB 3%; C 5%)
  • Luciano Huck………………….2% (AB 2%; C 6%)

“O limite para a admiração plena é a desconfiança do simulacro, ou seja, os famosos citados são considerados críveis em sua humildade, em sua honestidade, no fato de terem batalhado para “chegar lá”. Em uma sociedade de rigidez de padrões, o monitoramento da ´boa conduta` do admirado é constante”, diz Dennis Giacometti.

No segmento das artes, os famosos admirados mais citados foram:

  • Fernanda Montenegro………8% (AB 8%; C 8%)
  • Toni Ramos…………………….6% (AB 6%; C 8%)
  • Cláudia Raia………………….. 4% (AB 3%; C 5%)
  • Ivete Sangalo………………… 4% (AB 3%; C 4%)
  • Antonio Fagundes……………3% (AB 3%; C 3%)
  • Chico Buarque…………………2% (AB 4%; C – )
  • Caetano Veloso……………….2% (AB 4%; C – )
  • Gugu Liberato………………….2% (AB – ; C 4%)

No segmento política, os cinco famosos mais admirados, em respostas espontâneas, foram o ex-presidente Lula (55%); Marta Suplicy (19%); José Serra (12%); Marina Silva (10%); Geraldo Alckmin (10%).

No segmento trabalha para o bem comum, os dez famosos mais admirados, sempre em respostas espontâneas foram o ex-presidente Lula (21%); Renato Aragão (11%); Silvio Santos (10%); Marta Suplicy (10%); Xuxa (6%); José Serra (5%); Gugu Liberato (5%); Chico Xavier (5%); Viviane Senna (3%); Betinho (3%); Marina Silva (3%); Luiza Erundina (3%); Irmã Dulce (3%); Madre Tereza de Calcutá (3%).

No segmento esportes, os mais citados foram: Ronaldo Fenômeno (34%); Pelé (15%); Kaká (13%); Ronaldinho Gaúcho (10%); Robinho (11%); Ayrton Senna (7%); Dentinho (5%); Neimar (5%).

No segmento religião, os mais citados foram: Padre Marcelo Rossi (36%); Chico Xavier (15%); Papa (13%); Edir Macedo (9%); Papa Joao Paulo II (5%); R. R. Soares (5%); Padre Fábio Melo (5%); e Gandhi (4%).

Ídolos mais admirados

A maior parte dos entrevistados afirma ter um ídolo: 68%, contra aqueles que afirmam não ter, 32%.

Em resposta espontânea e múltipla, os entrevistados elencaram quem são os seus ídolos. Entre os oito mais citados estão: Jesus Cristo (10%); Lula (7%); Chico Xavier (5%); Ronaldo Fenômeno (5%); pais (4%); Ayrton Senna (4%); Madonna (3%); e Michael Jackson (2%).

Entre as razões que justificam ser um ídolo, estão, principalmente, o talento (37%); a humildade (20%); o exemplo de vida (12%); fé (12%); persistência e garra (11%); e solidariedade (9%).

Entre aqueles que afirmaram não ter um ídolo, as razões são: “todas as pessoas são falhas” (77%); “não existe uma única pessoa boa no que faz” (15%); e “não se espelha em ninguém” (9%).

Em respostas espontâneas (até três citações) à questão “na sua opinião, quem são os ídolos do Brasil”, os 10 mais citados foram: o ex-presidente Lula (38%); Pelé (35%); Ayrton Senna (23%); Silvio Santos (19%); Ronaldo Fenômeno (18%); Roberto Carlos (17%); Xuxa (14%); Gugu Liberato (7%); Ivete Sangalo (5%); e Robinho (4%).

E por que eles são considerados ídolos do Brasil? Principalmente porque são talentosos (41%); venceram obstáculos (20%); são humildes, do povo (20%); lutam por igualdade (16%); representam o Brasil (7%); são inteligentes (5%); influenciaram várias gerações (5%); são revolucionários (3%); e são ricos (2%).

A tríade básica que constitui a admiração à figura pública é:

  • histórias de superação: gente que “vem de baixo” e consegue “vencer”
  • carisma: a empatia e o trato com o público são sempre monitorados
  • generosidade: ajuda ao próximo

“Embora as pessoas tenham ídolos, é importante observar que o movimento de admiração ou idolatria não contribui para a transformação do indivíduo, apenas o torna um objeto de referência, uma possibilidade, uma esperança de final feliz”, afirma Giacometti. A pesquisa revela que as transformações, as evoluções do “eu mesmo”, em um mundo difícil e ensimesmado como o atual, acontecem na esfera privada de luta e de superação cotidiana, dispensando a figura do líder e do mestre. “Em essência, em sua maioria, as pessoas seguem o caminho do ´sou eu comigo mesmo´e todo aquele que vence, que lutou, `como eu estou lutando, é fonte de referência, de balizamento, de admiração, não importando muito como chegou até lá”, destaca o presidente da Giacometti.

“EU”

A pesquisa quantitativa começa com questões relacionadas ao Eu, ou seja, à própria pessoa. Com base em respostas espontâneas e múltiplas, os entrevistados começaram pontuando quais as suas principais virtudes. Da base de 400 entrevistados, as cinco principais virtudes mencionadas foram: honestidade (52%); simplicidade (36%); coragem (30%); generosidade (21%); e tranquilidade (14%).

Há diferenças entre as classes AB e C. A honestidade foi citada por 60% da classe C e por apenas 44% da AB. Simplicidade foi mais evidente também na classe C: veio em segundo lugar, com 44%, citada por apenas 27% da classe AB. Já o quesito coragem foi mencionado por 37% da classe AB, em comparação com 23% da C. A classe AB também se considera mais determinada: 15% apontaram o quesito determinação, contra apenas 7% da classe C.

“É interessante notar que identificamos duas ´tribos´ com eixos que separam as classe sociais. De um lado a classe C, com a tradicional ´dignificação´ por meio da simplicidade e humildade. E de outro a classe AB, que desponta de forma intensa como uma tribo de entusiastas, com coragem e determinação como valores maiores.

Também com respostas espontâneas e múltiplas, os entrevistados identificaram os seus principais defeitos. Os cinco defeitos mais apontados foram: ansiedade (56%); irritação (39%); impaciência (29%); insegurança (26%); e excesso de generosidade (22%). Na diferença entre as classes, destaca-se principalmente o quesito generosidade, apontado como principal defeito por 27% dos entrevistados da classe C e por apenas 17% da classe AB.

“Os defeitos mais citados – ansiedade, irritação e impaciência – dizem respeito a um mal estar social com características típicas de stress urbano. A pesquisa revela que a realidade da vida na grande cidade contemporânea traz um acúmulo de tensões que dificultam o relacionamento entre as pessoas.

Momentos felizes

Quais momentos de suas vidas os entrevistados consideram felizes? Imbatível, com 64% das indicações, foi o nascimento dos filhos. Na sequência, pela ordem, vem o casamento (31%); formatura (16%); emprego (16%); e vestibular (13%). O nascimento dos filhos e o casamento têm presença mais forte na classe C – 67% e 38%, respectivamente, em relação à classe AB – 60% e 20%, respectivamente. Já formatura, emprego e vestibular têm presença mais forte na classe AB, com os percentuais, de 22%, 18% e 15%, respectivamente, contra 10%, 13% e 10%, na classe C. Chama a atenção também o quesito reencontro familiar, citado por 9% dos entrevistados da classe C e por apenas 4% da classe AB.

“Mais uma vez notamos traços distintos entre as classes C e AB. A classe C tem uma ligação bem mais intensa com os valores relacionais – filhos, casamento e família –, enquanto a classe AB começa a priorizar mais o desenvolvimento de valores pessoais – estudo, carreira e viagens”, ressalta Dennis Giacometti. “Um aspecto importantíssimo revelado pela pesquisa é a ausência de momentos felizes originados dentro do próprio indivíduo, ou seja, nenhuma menção a um autor, professor, religioso ou político que de fato tenha tido impacto em seu pensamento, ideias e representações e que, a partir daí, tivesse evoluído para uma transformação do indivíduo.”

No que se refere às frases de concordância, a maioria dos entrevistados concorda que “a vida hoje é mais difícil do que era há 5 anos” – 31% dos entrevistados da classe AB e 36% da classe C concordam totalmente. E em respostas espontâneas e múltiplas, o momento mais difícil apontado foi, pela ordem, a perda de um ente querido (55% do total); dificuldade financeira (44%); problemas de saúde (36%); desemprego (29%); e briga na família (22%). Na classe C há um empate na primeira colocação: perda de um ente querido e dificuldade financeira, ambos apontados por 50% dos entrevistados. Na classe AB, perda de um ente querido foi apontada por 60% dos entrevistados e dificuldade financeira por 38%.

Entre os momentos difíceis assinalados pelos entrevistados não há nenhuma menção a questões relacionadas aos desafios do indivíduo em relação à vida, ou seja, representações que na prática tivessem algum tipo de impacto na tomada de decisão. “São desafios de certa forma ´básicos`, que não refletem nenhum tipo de inquietação existencial”, afirma Giacometti.

“O que mais me ensina na vida”

Em resposta à frase de concordância “o que mais me ensina na vida não são as pessoas e sim as dificuldades que passo no meu dia a dia”, os entrevistados disseram concordar totalmente: 56% classe AB e 62% classe C.

“Essa resposta sintetiza bem o retrato da solidão do cidadão urbano. A vida é quem mais ensina, assim como as teorias que a própria pessoa produz sobre ela. Trata-se de uma maioria literalmente silenciosa e solitária”, diz Giacometti.

Família é a instituição que mais contribui para a formação pessoal

Em resposta estimulada e múltipla (primeira citação), os entrevistados identificaram as instituições que mais contribuem para a sua formação pessoal. Disparado, a família ocupa a primeira posição, com 73%; religião 11%; escola 8%; amigos 5%; e trabalho, também com 5%. A ordem se mantém, com variações percentuais de apenas 1% a 3%, entre as classes, portanto sem grandes diferenças.

Em total sintonia com essas respostas, está a adesão à frase de concordância: “Família dá um monte de problema mas é sempre bom ter por perto. Nunca se sabe o dia de amanhã, se você vai precisar de alguma coisa.” Concordaram totalmente com a afirmativa 55% da classe AB e 68% da classe C. Os resultados mostraram total sintonia com a pesquisa qualitativa, que mostrou a força da família no que se refere à confiança (o elo se torna mais estreito quanto mais próximo é o grau de parentesco) e em relação à necessidade (é com quem se pode contar).

Em oposição à família, a instituição que menos contribui para a formação pessoal é a política: em resposta estimulada e múltipla (primeira citação), 52% dos entrevistados apontaram a política em primeiro lugar entre as instituições que menos contribuem. Na sequência: amigos (12%); religião (11%); trabalho (10%); e escola (7%).

A família desponta assim como celeiro da formação pessoal dos entrevistados – são “os meus”, mais íntimos e próximos. De outro lado, o universo político é amplamente rejeitado como formador, o que se explica não só pela imagem desgastada das figuras políticas mas também pelos indícios de pouca atuação social dos indivíduos na sociedade.

O papel dos livros na formação das pessoas

Que importância as pessoas atribuem aos livros para a sua formação pessoal? Perguntados sobre com qual frequência costumam ler, 69% dos entrevistados responderam que às vezes (30%), dificilmente (23%) ou nunca (16%). Apenas 19% disseram ler sempre e 12% com frequência. Há naturalmente diferenças entre as classes: 31% dos entrevistados da classe AB afirmaram ler sempre, contra 10% da classe C. Fica evidente porém, que o papel dos livros na formação das pessoas é bastante limitado.

E quais os livros mais marcantes já lidos? A Bíblia Sagrada surge em primeiro lugar, indicada por 8% dos entrevistados. Na sequência, Ninguém é de Ninguém (2%); O Pequeno Príncipe (2%); e Nosso Lar (2%), ordem que se manteve independente da classes, à exceção de O Pequeno Príncipe, citado apenas pela classe AB e não pela classe C. Entre as preferências por tema, pela ordem foram apontados: livros de ficção (35%); livros sobre espiritualidade e religião (20%); pessoas que não leem (16%); e livros de auto-ajuda / relacionamento (13%).

O plano espiritual foi, entre as leituras realizadas, foi o que mais marcou os entrevistados (18%). Em segundo lugar, para 17%, as leituras estimularam o hábito de ler. Na sequência foram citados os quesitos sentido da vida (15%); melhoria de relacionamentos (12%); e trouxe esperança (10%).

“O OUTRO”

Os atributos mais valorizados e os mais rejeitados:

Quais os atributos que as pessoas mais valorizam nos outros? Em resposta estimulada, com duas citações, os entrevistados elencaram a humildade (38%), a sinceridade (31%), a honestidade (29%), o caráter (23%) e a amizade (19%). Humildade e sinceridade foram os atributos campeões para as classes C e AB, porém com peso bem maior na classe C: 46% e 34% respectivamente, contra 30% e 27%, respectivamente, na classe AB. Já a classe AB deu mais peso ao caráter – 27% contra 19% na C; à ética – 15% contra 3% da C; e à tolerância – 11% contra 5% da C.

“Os atributos mais valorizados podem ser divididos em três pilares fundamentais. Aqueles considerados benevolentes, que são a humildade e a simplicidade; os atributos morais, que consistem na honestidade e no caráter; e os atributos relacionais, que são a amizade e a lealdade.

Já os atributos mais rejeitados são a falsidade (52%), a arrogância (38%), a falta de caráter (32%), a inveja (26%) e o egoísmo (20%).

A verdade e a humildade, segundo os entrevistados, compõem a essência do caráter e é nesses dois atributos que reside grande parte da admiração nutrida pelo “outro”, enquanto falsidade e arrogância são os valores mais rejeitados. “Esses dois atributos, quando se complementam e se manifestam, indicam também que a pessoa preza muito o respeito pelo outro. Quando alguém `ataca` uma pessoa tentando desqualificá-la, é automaticamente rejeitada”, afirma Dennis Giacometti. Entre as frases listadas pelos entrevistados estão “aos arrogantes não damos ouvidos” e “tem que ser humilde, ninguém é melhor que ninguém”.

Dificuldade em confiar nas pessoas

“Confio demais nas pessoas, sempre me dou mal.” Diante dessa frase de concordância, 29% da classe AB disseram concordar totalmente e 26% concordar parcialmente. Na classe C, o percentual é um pouco maior: 32% afirmaram concordar totalmente e 28% concordar parcialmente. A classe C portanto confia mais, é mais solidária. De um modo geral, porém, a maioria dos entrevistados, em todas as classes, concorda, total ou parcialmente, com a frase “tenho dificuldade em confiar nas pessoas, sempre tenho um pé atrás. É dificil saber quem está do seu lado de verdade”; e com a frase “eu demoro para pegar confiança em alguém para ver se ele é meu amigo de verdade”.

Valores

Que valores as pessoas enxergam em si mesmas e que valores acreditam que as outras pessoas têm? Para fazer a comparação entre os níveis de excelência dos valores, os entrevistados deram notas de 0 a 10. Os entrevistados da classe AB veem a si mesmos principalmente como uma pessoa amiga (83%). Consideram-se também, na sequência, uma pessoa de caráter (75%); honesta (75%); sincera (63%); e humilde (44%). Embora vejam em si esses valores, acreditam que não estão presentes nas outras pessoas com a mesma intensidade. A classe AB considera os outros como pessoa: amiga (64%); sincera (40%); honesta (39%); de caráter (38%); e humilde (27%). “As pessoas atribuem a si mesmas notas mais altas em relação a valores e qualidades que acreditam ser muito mais frágeis nas outras pessoas”, explica Dennis Giacometti.

Na classe C, há diferenças nos valores atribuídos pelas pessoas a si mesmas, mas “o outro” é igualmente visto como um ser humano com menos valores e qualidades. Os entrevistados da classe C veem a si mesmos como uma pessoa de caráter (81%); sincera (76%); honesta (73%); amiga (68%); e humilde (57%). Os outros, por sua vez, são considerados como pessoa amiga (50%); de caráter (46%); honesta (44%); humilde (42%): e sincera (38%). Da mesma forma que na classe AB, as pessoas atribuem uma avaliação muito mais positiva (sempre acima de 50%) a seus próprios valores e qualidades em relação aos dos outros, que recebem pontuação quase sempre abaixo de 50%, com uma ou duas exceções.

É interessante notar que a desproporção em relação ao que se percebe nos outros tendo como referência a si próprio é menor na classe C. “A classe C reconhece no outro boa parte dos valores que acredita serem significativos para a sua própria formação. Como consequência desse reconhecimento, a classe C tende a dividir mais, a compartilhar mais e – embora seja uma classe com um nível socioeconômico mais baixo – a ser mais solidária”, destaca Dennis Giacometti.

Entre as frases de concordância de destaque nesse ponto da pesquisa, incluem-se:

“Para as pessoas não interessa o que você é, interessa o que você tem”

  • Classe AB: concorda totalmente – 48%; concorda parcialmente – 29%; discorda totalmente – 13%; discorda parcialmente – 10%.
  • Classe C: concorda totalmente – 56%; concorda parcialmente – 27%; discorda totalmente – 4%; discorda parcialmente – 13%.

“Hoje em dia ninguém mais quer se dar mal. Muita gente passa em cima dos outros para conseguir o que quer”

  • Classe AB: concorda totalmente – 53%; concorda parcialmente – 25%; discorda totalmente – 7%; discorda parcialmente – 15%.
  • Classe C: concorda totalmente – 61%; concorda parcialmente – 22%; discorda totalmente – 5%; discorda parcialmente – 12%.

“São poucos os que ficam a seu lado nas dificuldades”.

  • Classe AB: concorda totalmente – 53%; concorda parcialmente – 21%; discorda totalmente – 13%; discorda parcialmente – 13%.
  • Classe C: concorda totalmente – 58%; concorda parcialmente – 26%; discorda totalmente – 5%; discorda parcialmente – 11%.

Embora a realidade pós-moderna proporcione aos indivíduos inúmeras “opções” ou caminhos para a sua formação identitária, a maioria “se serve” delas conforme julga mais favorável. Dessa forma, cria-se a sensação de que “o melhor sou eu”, já que os próprios indivíduos se constituem como as referências que mais valorizam. O resultado, destaca Dennis, é uma certa “arrogância”, que se expande para o universo da moral. Isso torna os indivíduos ainda mais solitários – envoltas em si mesmas, as pessoas não recorrem a ferramentas para o autoconhecimento; tampouco contam com um agente provocador para a sua transformação como indivíduo. Nesse contexto, fica mais fácil o julgamento do outro. “Aqui a pedra efetivamente bate no lago. Imbuídas dessa concepção, as pessoas, em sua maioria, têm dificuldades também para evoluir nas suas relações”.

Problemas nas relações amorosas e de amizade

Quais são os principais problemas identificados pelas pessoas em suas relações amorosas? Para respostas estimuladas, com duas citações, o problema campeão apontado por todas as classes foi a falta de tempo – 29%. Em segundo lugar, o que mais prejudica a relação é a infidelidade (23%); na sequência vêm a falta de paciência (22%); a fofoca (20%); e a inveja (18%). Os problemas se assemelham em ambas as classes, com uma diferença um pouco maior no caso da infidelidade, que pesa mais na classe C – 28% a apontaram como um problema, contra 17% na classe AB.

A grande vilã no que se refere às relações de amizade foi a falsidade, apontada como principal problema por 39% dos entrevistados, principalmente pela classe C (44%), em relação à classe AB (33%). Os outros problemas que mais afetam as relações de amizade são, pela ordem: fofoca (36%); inveja (32%); falta de tempo (19%); e egoísmo (15%).

“Na tentativa de buscar soluções para resolver problemas seja nas relações de amizade, seja nas relações amorosas, as pessoas foram se fechando em suas dificuldades, tornando o ´outro´ mais distante, menos possível. O resultado é que cada um está correndo atrás do seu, fechado em sua concha, de forma individualizada”, diz Dennis Giacometti. Embora a sociedade seja fundamentalmente relacional, à medida que uns dependem dos outros e convivem mais como amigos que como cidadãos, as pessoas em geral são extremamente arredias com o estranho, que é “externo, da rua, que oferece perigo e não oferece oportunidade”.

Admiração

Quais os atributos mais admirados em uma pessoa? Pela ordem, os entrevistados de todas as classes elencaram o respeito em primeiro lugar (39%), seguido da sabedoria (36%); humildade (30%); simplicidade (29%); e generosidade (25%). Na diferença entre as classes, a humildade é um atributo que tem força maior – indicado por 37% dos entrevistados, contra 22% da classe AB. A história de vida é outro atributo que tem visão diferente entre as classes, com peso maior na classe AB – 29%, contra 19% da classe C.

Perguntados sobre que pessoas consideram próximas dos atributos citados, em resposta espontânea, com 2 citações, a maioria não teve dúvidas: colocou em primeiro lugar a mãe (52%). Em segundo, o pai (31%). E, na sequência, mas com um percentual já bem menor, o melhor amigo, com 15%; irmãos (10%); filhos (10%); marido / companheiro (8%); avós (7%); outros parentes (6%); e empatado, na 8a posição, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (6%). No final da lista, houve citações a chefe ou colega de trabalho; esposa ou companheira; tios; pastores evangélicos; e namorado (a).

Fica ainda mais evidente, nas frases de concordância, o predomínio da figura materna e paterna quando se trata de definir a pessoa mais admirada:

“Meu pai e minha mãe são as pessoas que mais admiro na vida.”

  • Classe AB: concorda totalmente (69%); concorda parcialmente (22%); discorda totalmente 4%; e discorda parcialmente (5%).
  • Classe C: concorda totalmente (78%); concorda parcialmente (15%); discorda totalmente 3%; e discorda parcialmente (4%).

Mundo Melhor

Além do universo do “eu” e dos “outros”, a pesquisa da Giacometti procurou identificar que empresas, na visão dos entrevistados, colaboram hoje para um mundo melhor. Em respostas espontâneas, com duas citações, foram pontuadas as seguintes empresas: Natura (25%); Ypê (15%); Petrobras (14%); Itaú (11%); Vale do Rio Doce (10%); Bradesco (8%); Nestlé (8%); Banco do Brasil (5%); Pão de Açúcar (5%); e Sabesp (4%).

E o que as empresas que contribuem para um mundo melhor fazem? Pela ordem, foram pontuados os atributos (em resposta espontânea, múltipla): responsabilidade ambiental (69%); responsabilidade social (58%); doações / fundação (32%); ajudam os funcionários (11%); geram empregos (2%); patrocinam esportes (2%); e ajudam os deficientes (1%).

Sobre a questão “o que falta para um mundo melhor?”, as respostas (espontânea, duas citações) elencaram: saúde, emprego, educação (49%); mais tolerância / paciência (30%); melhores políticos (27%); pessoas menos egoístas (26%); menos violência (22%); menos falsidade (22%); mais fé religiosa (20%); mais igualdade (3%); honestidade (3%); e, empatados em 10o lugar nas indicações, com 1% cada, melhor distribuição de renda, ética e cuidar do meio ambiente.

Metodologia do estudo Quem me inspira?*

O estudo teve início com a fase qualitativa, com intuito de levantar hipóteses para serem posteriormente comprovadas na fase quantitativa. Para o levantamento desses dados, foram realizados quatro grupos de discussão, com os seguintes perfis:

  • Classe AB, idade 18-25 anos
  • Classe AB, idade 26-40 anos
  • Classe C, idade 18-25 anos
  • Classe C, idade 26-40 anos

Na fase seguinte, quantitativa, após esse aprofundamento, o estudo foi às ruas para aferir quais são os valores contemporâneos das pessoas na relação consigo e com o outro, bem como quais são as pessoas que mais admiram e nas quais se inspiram. Também foi investigado em que medida essas pessoas impactaram as vidas dos entrevistados, no sentido de uma evolução, de uma transformação do indivíduo.

Nessa fase, a quantitativa, foram entrevistadas 400 pessoas com idades entre 20 e 40 anos com os seguintes perfis:

Classe AB

  • 100 homens
  • 100 mulheres

Classe C

  • 100 homens
  • 100 mulheres

*Entrevistas realizadas com pessoas de diferentes centros urbanos do pais, residentes em São Paulo.

(PORTAL BAGARAI)

 

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