Conhecido por enredos polêmicos e luxuosos, Joãosinho Trinta revolucionou o mais famoso carnaval do mundo. Dos 78 anos de vida, mais de 50 foram dedicados à festa carioca. Só na escola de samba Beija-Flor de Nilópolis, da Baixada Fluminense, onde ficou por 17 anos, ele foi campeão cinco vezes, entre 1976 e 1983.

O carnavalesco que criou uma nova estética para o carnaval brasileiro levou teatro e grandes alegorias para Avenida, com desfiles antológicos, como o enredo “Ratos e urubus larguem a minha fantasia”, de 1989. Após exibir riqueza no Sambódromo do Rio, ele mostrou muito lixo e surpreendeu o público com uma réplica do Cristo Redentor como mendigo. Depois de uma ação da igreja católica, a imagem foi proibida pela Justiça e teve que desfilar coberta por um plástico preto. Joãosinho, então, fez um cartaz escrito “mesmo proibido, olhai por nós”.

A escola acabou em segundo lugar, mas o carnavalesco entrou definitivamente para a história do carnaval. No mesmo ano, Joãosinho assinou o desfile da Acadêmicos da Rocinha, do Grupo de Acesso, e foi campeão com o enredo “O esplendor dos divinos orixás”.

“Para mim, o carnaval é o único momento de irrealidade, é o único momento que você tem que fugir do cotidiano, das coisas comuns, e partir para um instante de emoção, de beleza, de irrealidade”, disse Joãosinho, em uma de suas entrevistas.

Em 1990, ele próprio virou enredo e foi homenageado pela União da Ilha. Enquanto isso, na Beija-Flor, Joãosinho tentava o título com “Todo mundo nasceu nu”. A escola de Nilópolis ficou em segundo e a agremiação da Ilha do Governador ficou em sétimo.

Polêmico, em de 1992, seu último ano na Beija-Flor, ele descumpriu o então regulamento emitido pela Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), que proibia pessoas com “a genitália desnuda” na Avenida, e levou um casal nu para a Sapucaí, com o enredo “Há um ponto de luz na imensidão”, que falava sobre a televisão.

Além da Rocinha, o carnavalesco também foi campeão no Grupo de Acesso com a Império da Tijuca, além de ter feito carnavais para escolas de São Paulo.

Homenagem em 2012
Em 2012, ele será novamente homenageado na Sapucaí, dessa vez pela escola onde ele deixou sua marca maior, a Beija-Flor. O enredo é sobre São Luis do Maranhão, onde o carnavalesco nasceu.

A assessoria informou, ainda, que Joãosinho esteve na quadra da Beija-Flor durante as eliminatórias de 2011 e ajudou a votar nos sambas a serem classificados. Ele também esteve presente no barracão, conheceu o projeto de alegorias e fantasias e disse que estava animado com o desfile e a homenagem.

História de sucesso
O início da carreira de Joãosinho foi no Salgueiro, como assistente, na década de 1960. Em 1973, passou a ser o carnavalesco oficial da escola da Tijuca, em dupla com a artista plástica Maria Augusta, e ficou em terceiro lugar com o enredo “Eneida: amor e fantasia”. Nos dois anos seguintes, Joãosinho Trinta começaria a sequência de vitórias nos carnavais cariocas. Em 1974, ganhou o título com o enredo “O Rei de França na Ilha da Assombração” e em 1975, com “O Segredo das minas do Rei Salomão”.

Foi em 1976 que a Beija-Flor contratou Joãosinho e construiu uma trajetória de carnavais inesquecíveis. Já no ano de estreia ele foi campeão, com o enredo politicamente incorreto “Sonhar com o rei, dá leão”, o primeiro título da escola e uma homenagem ao jogo do bicho.

Em 1977, um novo título, com “Vovó e o Rei da Saturnália na corte egipiciana”. O desfile do ano seguinte, que também venceu o campeonato, se destacou pelas fantasias luxuosas, em “A criação do mundo segundo a tradição Nagô”.

Em 1979, a Beija-Flor ficou com o segundo lugar com o enredo “O paraíso da loucura”. E em 1980, “O sol da Meia Noite – uma viagem ao país da maravilha”, ganhou o quarto título da escola.

Em 1981, com “Carnaval no Brasil – a oitava das sete maravilhas do mundo”, ele conquistou o segundo lugar. O quinto título de campeão na Beija-Flor foi em 1983, com “A grande constelação das estrelas negras”. Em 1986, novo segundo lugar, com “O mundo é uma bola”.

De 1994 a 2000, Joãosinho ficou à frente da Unidos da Viradouro, escola de Niterói, na Região Metropolitana. Lá ele conquistou o título em 1997, com o ousado “Trevas! Luz! A explosão do Universo”, sendo esta sua última vitória no carnaval carioca.

Em 1996, ele sofreu um derrame que deixou sequelas, paralisando um dos lados de seu corpo. De 2001 a 2004 ele assinou os desfiles da Grande Rio e conseguiu o terceiro lugar para a escola, em 2003, com “O Brasil que Vale”. No ano seguinte, Joãosinho Trinta gerou polêmica com alegorias que representavam atos sexuais no enredo sobre a camisinha. Depois de vistorias da igreja e da proibição do Ministério Público, a Justiça acabou liberando as alegorias, que acabaram passando pela Avenida cobertas, algumas com a palavra “censurado”.

No mesmo ano, a Acadêmicos da Rocinha homenageou o carnavalesco e ficou em terceiro lugar no Grupo de Acesso, com o enredo “O mago do novo, João do povo”. Também em 2004, Joãosinho sofreu um novo derrame.

Em 2005, o carnavalesco mais premiado do Brasil foi para a Vila Isabel. De 2006 em diante, ele ficou afastado do carnaval carioca por conta de problemas de saúde, mas continuou acompanhando de perto os trabalhos de escolas como a Grande Rio, de Duque de Caxias, também da Baixada Fluminense.

Em 2010, Joãosinho Trinta foi homenageado no enredo da Grande Rio, que falou sobre os 25 anos da Marquês de Sapucaí. A agremiação levou para a Avenida uma alegoria em alusão ao enredo “Ratos e urubus larguem a minha fantasia”. Ele desfilou em frente ao carro alegórico, representando o “Rei da folia”.

(G1)

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