No último sábado (3), durante o 23º Encontro Nacional do PSB, em Brasília, os irmãos Cid e Ciro Gomes acompanharam a recondução do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, à presidência da sigla.

Não bastasse assistir ao responsável por impedir que Ciro concorresse à Presidência em 2010 contra Dilma Rousseff (PT) ser mantido em seu posto, os dois ainda enfrentaram protestos de opositores do PSB cearense e tiveram de engolir a permanência na executiva nacional de Sérgio Novais, que capitaneava os dissidentes.

Ex-presidente do PSB de Fortaleza, ex-presidente da Companhia das Docas do Estado, ex-companheiro da prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, com quem tem um filho, e uma das principais vozes da sigla no Estado, Sérgio Novais afirmou ao iG que os irmão Gomes não “aceitam o contraditório”, estão habituados com a “lógica das oligarquias hegemônicas” e que Ciro só conta com o próprio voto e de Cid dentro da sigla caso queira se candidatar à Presidência novamente.

Novais presidia o PSB de Fortaleza até o mês de setembro, quando foi destruído pela ala rival e majoritária ligada ao governador do Ceará, Cid Gomes, e por seu irmão e ex-deputado federal Ciro Gomes. A reunião tumultuada dos membros do partido que decidiu pela destituição aconteceu no meio da rua.

A briga interna do PSB no Ceará não é de agora, porém se tornou mais acirrada em 2011. A ala histórica, fundadora do partido no Estado e à qual pertence Sérgio Novais, se estranha com o grupo liderado pela família Gomes desde que os irmãos aportaram no partido, em 2005.

Leia, abaixo, os principais trechos da entrevista:

iG: Como está sua relação com a ala ligada aos irmãos Ciro e Cid Gomes no PSB cearense?

Sérgio Novais: Há uma perseguição. Uma tentativa de massacrar nosso agrupamento. Temos nos articulados nacionalmente e exigimos respeito. Mas os irmãos Ferreira Gomes não sabem conviver com o contraditório. Eles estão habituados com a lógica da oligarquia hegemônica.

iG: De que forma sua permanência na Executiva Nacional do partido foi recebida pela ala “cidista”?

Novais: A minha permanência é um desconforto. Esse grupo já havia se reunido e encaminhado uma deliberação para a executiva nacional pedindo a minha saída. Quem tratou disso foi o vice-presidente Roberto Amaral. Ele usou o critério definido antecipadamente de reconduzir todos que já integravam. Então, não foi a vontade de ninguém. Nem a minha nem a de Cid nem a do presidente.

iG: Como o senhor vê as demonstrações de que há uma reaproximação dos irmão Gomes e Eduardo Campos ?

Novais: Isso é cena. Na política, infelizmente, tem isso. O discurso de Eduardo foi duro em cima de Ciro Gomes. Ele disse que não vai para a aventura. A aliança com o PT é firme e histórica. Não é eleitoral. É política. O Ciro quer um rompimento, pela avaliação dele põe em risco o projeto maior pelo projeto menor, que é o dele. A princípio, o apoio Dilma está garantido. Essa executiva é que vai decidir isso em 2014.

iG: Ciro Gomes defende que o PSB se posicione de forma crítica em relação ao governo Dilma e disse que PT e PMDB se unem por fisiologia e roubalheira. Como o senhor avalia essa declaração?

Novais: Ele quer ganhar alguma foto, se destacar. Quer abrir uma fenda na aliança. Com todas as contradições que existem, e tem problemas, mas é forte. Ele quer abrir uma fenda e assim abrir caminho para a candidatura dele.

iG: Pelo que observou no Congresso Nacional, quais as chances de Ciro Gomes disputar a Presidência pelo PSB em 2014?

Novais: Para não dizer que é impossível, é remotíssima. Ele está completamente isolado. Ele está reduzido aos votos dele e de Cid.

(ÚLTIMO SEGUNDO)

Anúncios