O empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, apontado como operador do esquema do mensalão, foi preso na madrugada desta sexta-feira em Belo Horizonte, em uma operação da Polícia Civil da Bahia. A prisão do publicitário é parte de uma ação para desmantelar um esquema de grilagem de terras. Ainda não há detalhes sobre os motivos da prisão do publicitário.

Marcos Valério foi apontado pelo Ministério Público como operador do esquema do mensalão, como ficou conhecido susposto esquema de pagamento de propina a parlamentares em troca do apoio político no Congresso durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

De acordo com o advogado Marcos Leonardo, que atende o publicitário, Valério foi preso junto com outras três pessoas, todas elas sócias da DNA Propaganda, uma das agências envolvidas no esquema que deu origem à crise política de 2005. Entre eles, estão Ramon Cardoso, Francisco Castilho e Margareth Freitas. O mandado de prisão é assinado pelo juiz de Direito da Comarca de São Desidério, no sul da Bahia.

“Ainda temos poucas informações sobre o caso e agora vamos pedir acesso à cópia do inquérito e aos detalhes da operação”, disse o advogado. Segundo ele, a informação repassada à assessoria jurídica do publicitário é a de que todos os presos serão levados em avião para a Bahia ainda nesta sexta-feira.

Operação Terra do Nunca

A Polícia Civil da Bahia confirmou a prisão de Valério dentro da operação “Terra do Nunca”, que ocorre em três Estados e que tem como objetivo combater a grilagem de terras no oeste baiano.

Em 2005, quando vieram à tona operações da DNA em suposta compra de fazendas fantasmas na região, soube-se que as terras haviam sido penhoradas pelo INSS como garantia de pagamento de uma dívida cobrada pelo órgão à agência e que à época superava R$ 8 milhões.

Entre os crimes em apuração, segundo o Ministério Público da Bahia, estão corrupção ativa, falsificação de documentos e falsidade ideológica. As práticas irregulares envolviam, segundo a Promotoria baiana, falsificação de documentação de imóveis inexistentes e de áreas reais da União, para que servissem de garantia em dívidas com o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social)

O advogado do publicitário afirmou ao iG que não teve conhecimento da investigação. “A única coisa que vimos foi o mandado de prisão”, afirmou. Segundo ele, apenas pelo teor do documento é possível dizer que a prisão é ilegal, pois o mandado não especifica os crimes em apuração. Leonardo disse ainda que um advogado da equipe está se deslocando até a comarca de São Desidério para tentar obter acesso aos autos da investigação.

Entre o final de 2008 e o começo de 2009, Valério passou 97 dias preso em processo em que é acusado de forjar um inquérito policial para prejudicar dois fiscais da Receita que haviam multado a cervejaria Petrópolis. O caso não tem relação com o escândalo do mensalão, esquema de compra de votos e financiamento irregular de campanhas eleitorais supostamente levado a cabo pelo PT no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O processo do caso está em fase final de tramitação no STF (Supremo Tribunal Federal).

*com reportagem de Thiago Guimarães, iG Bahia