O consumo de crack continua dominando o país, de acordo com pesquisa divulgada pela CNM (Confederação Nacional de Municípios), nesta segunda-feira (7), em Brasília. Dentre os 4.430 municípios pesquisados, 90,7% indicaram que enfrentam problemas relacionados ao consumo do crack. 

Apesar do alto número, a pesquisa aponta uma redução em relação ao último ano. Em 2010, o levantamento, feito em 3.950 cidades, mostrava que 98% dos municípios pesquisados enfrentam problemas relacionados ao crack. 

Para fazer o levantamento, a confederação ligou para cada uma das Secretarias de Saúde dos municípios e questionou o que estava sendo feito para combater o uso de drogas e seus efeitos sobre os jovens e a população em geral.

A pesquisa aponta ainda que o nível do consumo do crack é apontado como médio em 1.809 cidades (44,7%), baixo em 1.135 (28,1%), e alto em 1.078 (26,7%). Segundo a CNM, com isso, conclui-se que, apesar de ser uma droga relativamente nova, o crack, está acarretando sérios problemas nos municípios brasileiros.

Dentre os municípios pesquisados até o momento, 89,4% indicaram que enfrentam problemas com a circulação de drogas em seu território. Somente 10,2% citaram que não enfrentam este tipo de problema e 0,4% não souberam informar. Desses, além dos 90,7% que tinham problemas com crack, outros 92,5% afirmaram que possuem problemas com outras drogas.

O levantamento é o segundo da série criada pela CNM com o nome de Observatório do Crack. A primeira pesquisa, divulgada em dezembro de 2010, mostrou nível semelhante de problemas enfrentados pelos municípios brasileiros.

União e prefeituras

A diferença do primeiro para o segundo levantamento, de acordo com o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, é que agora os prefeitos pretendem mostrar que o governo federal não vem ajudando no combate ao crack.

– A União, pela sua omissão constante, anuncia como política de combate ao crack apenas um site com instruções para se formar um conselho antidrogas, mas não ajuda na criação desses órgãos. Tudo é criado no papel e depois mandam as prefeituras executarem.

O resultado disso, de acordo com o estudo, é que apenas 548 cidades contam com um Conselho Municipal Antidrogas. Como válvula de escape, os CRAS (Centros de Referência de Assistência Social) e CREAS (Centros de Referência Especializados da Assistência Social) acabam sobrecarregados no atendimento aos dependentes químicos. Das cidades pesquisas, 1.371 contas com CRAS e apenas 417 com CREAS.

De acordo com Ziulkoski, as principais áreas afetadas pelo consumo de drogas são a saúde, pela fragilidade da rede de atenção básica ao usuário de drogas, e a segurança, com aumento de roubos, assassinatos e falta de policiamento nas áreas que apresentm maior vulnerabilidade. 

Para auxiliar na cobrança por mais apoio federal, a CNM anunciou o lançamento oficial do Observatório do Crack. O portal (http://www.cnm.org.br/crack/) servirá para divulgar experiências bem sucedidas no combate às drogas e e também para indicar como cada município vem trabalhando para diminuir os problemas relacionados ao consumo.

Saúde

Segundo a confederação o consumo de drogas ultrapassa a barreira do problema social, passando a ter desdobramentos em diversas áreas da sociedade e vem sendo tratada principalmente como uma questão de saúde pública. 

 Ainda de acordo com a pesquisa, entre áreas mais afetadas pelo consumo de drogas, a da saúde aparece em primeiro lugar com 63,7% das citações. Segundo a CNM, os principais problemas apresentados pelos municípios vêm da fragilidade da rede de atenção básica ao usuário de drogas, a falta de leitos para a internação, o espaço físico inadequado, a carência na disponibilidade de remédios e a ausência de profissionais especializados na área da dependência química.

A segurança aparece como sendo a segunda maior área a apresentar problemas relacionados ao consumo e à circulação de drogas com 58,5% das citações. Os principais problemas estão relacionados ao aumento de furtos, roubos, violência intrafamiliar e doméstica, assassinatos, vandalismo, bem como o aumento da violência no meio rural e urbano. Existem ainda apontamentos em relação à falta de policiamento nessas áreas que apresentam maior vulnerabilidade.

(R7)

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