O extremo setentrional do Brasil não é o Oiapoque, no Amapá, como muita gente (ainda) pensa. Desde 1998 que o Ministério da Educação (MEC) considera Caburaí, em Roraima. E é da capital do estado que tem a ponta norte oficial do País que vem uma história curiosa. Na cidade de Boa Vista, a maior torcida organizada não é de nenhum time local. Nem do Rio de Janeiro ou de São Paulo. Por lá, popular mesmo é o Fortaleza.

A Toca do Leão foi a semente de tudo, plantada em 2004 por um grupo de ex-integrantes de torcidas organizadas do Leão que moravam na cidade. Eram torcedores que já havia passado pela Fiel Tricolor, Filhotes do Leão e Torcida Uniformizada do Fortaleza (TUF). Assim, de longe, resolveram se juntar para acompanhar jogos.

Mas a história começou até antes, em 2001. Cinco tricolores resolveram ver juntos as partidas do Fortaleza naquela Série B. “O número foi crescendo e ganhou força na subida para a Série A em 2002”, lembra o funcionário público Antônio José Leite, um dos primeiros integrantes do grupo. Dois anos depois, a torcida foi formalizada e chegou a ter 112 membros cadastrados oficialmente.

A “Toca” era toda caracterizada, com pintura estilizada e estrutura para servir de arquibancada à distância durante os jogos do Fortaleza. “Após os jogos (com vitória), sempre havia carreata pela cidade”, lembra o cearense, que garante ter convencido vários roraimenses a torcerem pelo Tricolor.

O grupo cresceu e acabou virando um braço oficial da TUF. Hoje, é a maior torcida organizada de Roraima. E este ano, por exemplo, a fidelidade passou por provações. A torcida chegou a ter de acompanhar partidas pelo rádio e até por ligação de celular (a cada dez minutos) daqueles que estavam no estádio. Uma paixão, literalmente, sem fronteira.

(Bruno Formiga – O Povo Online)

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