O Fortaleza Esporte Clube foi absolvido das acusações de combinação de resultado na partida diante do CRB/AL e garantiu sua permanência na Série C do Brasileirão de 2012 em audiência realizada na tarde desta quinta-feira no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).

Por 6 votos a 1, o clube e o atleta Carlinhos Bala foram absolvidos. Além disso, teve a multa reduzida para R$ 21 mil. CRB também teve sua multa reduzida de R$ 20 mil para R$ 10 mil. Com isto, o Campinense é o rebaixado para a Série D do Campeonato Brasileiro do próximo ano.

Argumentos

Para defender a equipe cearense viajaram Paulo Rubens, para defender o Fortaleza, e Jorge Mota, como advogado  do atleta Carlinhos Bala.

Em sua defesa, o time apresentou um vídeo contendo a partida, na íntegra.

A acusação também levou vídeos para provar a suposta combinação entre os jogadores dos clubes alagoano e cearense.

Sem armação

A defesa tricolor enalteceu o espírito competitivo e ético da equipe cearense para reforçar seu ponto de defesa. “Não há armação, nenhuma situação que pudesse ensejar na anulação da partida”, disse Paulo Rubens. Além disso, ele lembrou a situação em que o adversário se encontrava em campo, com dois jogadores a menos e um jogador de linha, no gol. “Não há conluio!”, bradou.

O outro defensor Tricolor, o ex-presidente do clube Jorge Mota, foi além e apostou sua própria cabeça na inocência do clube. “Eu boto a minha cabeça na guilhotina se alguém provar algo contra o Fortaleza nesse caso”, disse.

Votação

O relator Francisco Mussnich foi o primeiro a votar, e votou a favor da absolvição do Fortaleza. “O CRB, coletivamente, não contribuiu para a vitória do Fortaleza. Se o CRB quisesse entregar a partida, seria fácil cometer um pênalti, e não faria sentido dar carrinhos para impedir o gol adversário”, disse Mussnich. Ele votou pela absolvição do Fortaleza e pediu a absolvição de Carlinhos Bala. Sobre o atraso do jogo, pediu multa de R$ 10 mil para o CRB e R$ 16 mil para o Fortaleza. Ele recusou também a pena ao Fortaleza pelo arremesso de garrafa de água, assim como manteve a absolvição do árbitro.

Em seguida, o auditor Mauro Couto se manifestou. Ele se pronunciou na mesma linha de raciocínio e Mussnich. “O relator falou em provas insuficientes. Vou além, não houve prova nenhuma de combinação de resultado”, ponderou. Ele votou nas mesmas medidas que o relator, discordando apenas na redução da multa para o Fortaleza.

Logo depois, foi o auditor Alberto Barbosa, que acompanhou os votos do relator Mussnich. Com 3 votos a 0 para o Leão, os demais auditores votaram de forma mais suscinta e acompanharam os colegas na não anulação da partida entre Fortaleza x CRB.

O único voto pela realização de uma nova partida foi do presidente Rubens Approbato.

No veredicto final, foram 6 votos a 1 pela absolvição do Fortaleza e do Carlinhos Bala. O Fortaleza segue multado em R$ 21 mil, com redução de R$ 4 mil. O CRB também teve sua multa reduzida, de R$ 20 mil para R$ 10 mil. O árbitro Gutemberg de Paula e o atleta Maisena, do CRB, seguiram absolvidos.

“Esta foi uma acusação muito injusta e o Fortaleza chegou a ter o nome sujo em todo o país, mas o importante é que a verdade prevaleceu.”, comemorou o advogado Jorge Mota, ao final da votação.

Íntegra

Leia, na íntegra, o texto final da audiência:

“Resultado do julgamento: Por maioria de votos, negar provimento à anulação da partida entre Fortaleza e CRB/AL; por maioria de botos, negar provimento ao pedido de suspensão ao árbitro Gutemberg de Paula Fonseca; por maioria de votos, dar provimento parcial ao CRB/AL, para diminuir a multa para R$ 10 mil anteriormente tipificada em R$ 20 mil; por maioria de votos, dar provimento parcial ao Fortaleza/CE, para diminuir a multa para R$ 21 mil anteriormente tipificada em R$ 25 mil; por unanimidade de votos, dar provimento ao Fortaleza/CE, pelo pedido de absolvição de Carlinhos Bala, anteriormente suspenso por seis jogos e multado em R$ 10 mil; por unanimidade de votos, manter absolvição do atleta Maisena, do CRB/AL.”

Entenda o caso

Na última rodada da Série C de 2011, o Fortaleza venceu o CRB/AL pelo placar de 4×0, exatamente o que precisava ara permanecer na terceira divisão. Com isso, o Campinense/PB foi rebaixado e decidiu entra na Justiça, alegando combinação de resultado entre Fortaleza e CRB. Em primeira instância, o caso foi julgado em sessão que durou 5 horas, com uma série de punições financeiras, suspensão ao atleta Carlinhos Bala (Fortaleza) e absolvição do lateral Maisena (CRB) e do árbitro da partida, Gutemberg de Paula.

(Diário do Nordeste)