São Paulo – Com saída de Orlando Silva do Ministério do Esporte após duas semanas de denúncias divulgadas pela mídia sobre suspeitas de irregularidades na pasta, o assunto deve desaparecer quase instantaneamente do noticiário. Para Marcos Verlaine, analista político do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), a sexta queda de ministro no governo Dilma, dos quais cinco suspeitos de envolvimento em escândalos de corrupção, será seguida do fim da série de acusações.

“É uma característica da imprensa brasileira. Isso é tão verdadeiro que quando se troca o ministro, a onda de denúncia no ministério se acaba imediatamente. O processo continua, as partes serão ouvidas, mas a crise institucional e a grita da imprensa acabam, então isso não vai comprometer o governo da presidenta Dilma”, afirmou Verlaine.

O analista considera que o afastamento do ministro não trará dificuldades à governabilidade de Dilma pelo fato de o PCdoB, partido de Orlando Silva e historicamente aliado ao governo petista, poder continuar à frente da pasta. “O governo seguirá seu curso normal, como vem seguindo. Até porque outro indicado pelo PCdo B provavelmente assumirá o Ministério do Esporte”, pontua Verlaine.

Para ele, a presidenta  Dilma Rousseff tem a característica de ser intolerante com fatos como os que foram noticiados, porém, por ser diferente do ex-presidente Lula, que preferia ser mais condescendente, ela prefere manter uma relação mais formal com seus ministros.

Copa

Para o analista, as decisões sobre a Lei Geral da Copa, que está em tramitação no Congresso, também seguirão seu curso normal, após a saída de Silva, pois a tendência é que as negociações levem a um denominador comum, em vez de prevalecer a posição do Ministério do Esporte e do governo frente as demandas da Fifa e da CBF. “Esse assunto será resolvido quando se construir uma média entre todas as partes envolvidas. Não somente de um lado ou de outro”, considera.

Verlaine afirma que é necessário estabelecer normas que proporcionem segurança jurídica para o acontecimento dos grandes eventos esportivos, como a Copa de 2014 e a Olímpiada de 2016. Portanto, conclui, “não será a partir de uma posição unilateral do governo ou da Fifa, por exemplo, que se construirão as leis que vão regulamentar eventos desse porte”.

(REDE BRASIL ATUAL)

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