Desde abril de 2008, Fortaleza inseriu no roteiro de eventos destinados ao público LGBTT uma boate com uma visão diferenciada. Ao contrário das demais concorrentes, localizadas em redutos batidos da ala plural da capital cearense, a Meet Music & Lounge encontra-se no coração da área nobre fortalezense e, como parte de sua estratégia, foi priorizada a realização de eventos que primassem pela qualidade, sofisticação e atendimento diferenciados. O mais alto PIB gay do Ceará está, há três anos, compondo o público do estabelecimento. Por trás do sucesso da Meet, a empresária e promoter Monah Monteiro, que concede uma entrevista exclusiva à Coluna Business.

Como se deu o processo de criação da Meet sob a ótica do conceito, do nome e da proposta?
Eu e minha sócia, Paula Roberta, já trabalhávamos com festas itinerantes, onde fomos pioneiras no mercado local. O sucesso foi tanto que sentimos a necessidade de termos um local fixo, porém em menores proporções, a qual pudéssemos fazer altos investimentos em atrações, com menos risco e em períodos menores de tempo. Pensamos em um local onde as pessoas pudessem se conhecer, conversar e ao mesmo tempo curtir um som de alto nível. A escolha do nome deve-se a isto: Meet, encontro.

O que diferencia a boate das principais concorrentes no Ceará?
O espírito inovador! Somos mentes inquietas, pesquisando e trazendo o que ainda ninguém fez! E principalmente tendo comprometimento com o público no que se refere em trazer grandes atrações no ramo da música eletrônica GLBTT, que até então não haviam grandes investimentos.

Paralelo ao mercado GLS de outras cidades, como você analisa a atuação da Meet em Fortaleza?
A Meet hoje é referência não só no mercado local, como no Brasil inteiro. Nós investimos no público e obtemos o retorno por isso. O investimento feito em grandes atrações, nacionais e internacionais, nos retorna sobre a forma de marketing sobre o nome da casa.

Ao seu lado, está uma equipe composta por outras pessoas que integram o tradicional mercado de entretenimento local. Como ocorrem as discussões sobre as ações a serem implantadas?
Nos reunimos semanalmente e nessas reuniões discutimos diversos assuntos, tais como comportamento do público, atrações, novas ideias, propagandas, entre outros. Discutimos até mesmo sobre o comportamento e posicionamento da equipe em relação a determinado assunto.

A boate também promove eventos externos. Qual o mecanismo de produção destas festas?
Na verdade, antes de termos uma boate fixa, já faziamos eventos itinerantes. Estes por sua vez, são geralmente eventos temáticos, que aguçam a imaginação do público.

Qual a sua avaliação do mercado destinado ao público LGBTT no Ceará?
Tem crescido cada vez mais! Graças a investimentos feitos por empresas empreendedoras, que atualmente conseguem enxergar nesse segmento um mercado bastante lucrativo e também muito exigente.

A Meet possui parceria com alguma organização não-governamental ou pública para contribuir na luta contra a homofobia?
Nós promovemos eventos específicos contra a homofobia. Neste ano, fizemos um evento promovendo a venda de um calendário, onde o dinheiro arrecadado foi doado para a filmagem de um filme produzido pelo cineasta Rick Mastro.

Quais as principais dificuldades de se trabalhar para um público tão complexo e diversificado?
Dificuldade todos nós encontramos em qualquer ramo, é diferente quando se nasce pra fazer isso, tudo é feito com prazer. Como temos um público seleto, de gosto apurado e bastante exigente, trabalhamos para sempre oferecer um serviço de excelência!

Como você enxerga a importância da Meet para o mercado local?
Puxamos para nós a responsabilidade de elevar o nível de atrações, no ramo da música eletrônica, direcionada ao público GLBTT. Atrações que até então eram vistas apenas em outros estados, ou até mesmo países!

Há alguma pretensão de expandir a sede existente? A equipe que dirige o empreendimento já avaliou a possibilidade de abrir outra filial aqui no Ceará ou em outro estado?
Sim. Já recebemos inclusive propostas de outras casas para isso. Estamos analisando algumas!

Daqui a dez anos, como você espera que esteja a Meet com relação à infraestrutura, público e mercado?
Trabalharemos sempre em prol de avanços tecnológicos para suprir a necessidade do mercado, não apenas em atrações. Essas mudanças nos deixam à frente e, portanto, atualizados. Daqui a dez anos, estaremos pensando não apenas na Meet, mas também em novos empreendimentos.

Entrevista, produção e edição: Alexandre Savéh
Direção Geral: Gaída Valim

(Portal CNews)