Apesar de a greve dos bancos ter se encerrado na última segunda-feira, 17, as quatro agências do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) em Fortaleza e Maracanaú permanecem de portas fechadas. Os funcionários continuam de greve.

A principal reclamação dos grevistas é de que houve “discriminação” e “má vontade” do Ministério da Fazenda por ter concedido reajuste de 10% no piso salarial dos funcionários do Banco do Brasil (BB), com repercussão em toda a curva salarial do Plano de Cargas, mas ter negado a mesma medida aos bancários do BNB.

“Houve discriminação contra os nordestinos porque o BNB é um banco regional e o Banco do Brasil não. Pela vontade do Ministério da Fazenda, já teriam acabado com o BNB há muito tempo”, afirma o diretor de imprensa do Sindicato dos Bancários do Ceará (Seeb-CE), Tomaz Aquino. Para a presidente da Associação dos Funcionários do BNB (AFBNB), Rita Josina, falta “visão e conhecimento da atuação capilar do BNB na região” por parte do Ministério e reforçou que há discriminação contra nordestinos.

Tomaz afirmou ter estranhado o tratamento diferenciado que o Governo Federal deu aos bancos: “Sempre as propostas do Banco do Brasil foram iguais essencialmente em relação ao Banco do Nordeste. Nunca tinha acontecido isso”. De acordo com Tomaz, apesar de o Governo Federal ter a “obrigação de tratar os bancos da mesma maneira”, a culpa também é dos banqueiros da direção geral do BNB, que “deixam correr sem ir atrás do prejuízo”.

Segundo a superintendência do BNB, porém, o BNB não teve autorização do Governo Federal para adotar o mesmo reajuste que o Banco do Brasil recebeu. A negociadora entre grevistas e direção geral do BNB, além de superintendente da área de Recursos Humanos, Eliane Brasil, afirmou que ontem foi encaminhado para o Ministério da Fazenda um documento com alternativas para solucionar a questão.

Ela acredita, porém, ser “muito difícil” alcançar a mesma proposta concedida ao BB.

“Fazer isso significa um impacto muito grande na folha de pagamento do banco”. Eliane estima que, caso fosse adotado o modelo, o prejuízo para o BNB seria de mais de 20%. Segundo ela, o Banco do Brasil é centenário, tem lucratividade superior ao BNB e tipo de atuação diferente.

No BB, foram R$ 2,93 bilhões de lucro líquido no primeiro semestre deste ano, contra R$300 milhões de lucro do BNB. “Tivemos um bom lucro, mas ainda não é suficiente para arcar com a despesa de pessoal. A realidade do banco não pode arcar com essa elevação”.

(O Povo Online)

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