Os bancários chegam nesta segunda-feira (17) a 21 dias de uma greve histórica, a maior dos últimos vinte anos, com mais de nove mil agências e departamentos parados.  Na última sexta-feira, dia 14,  o movimento nacional da categoria atingiu o seu maior nível de paralisação. No mesmo dia, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) apresentou uma nova proposta ao Comando Nacional dos Bancários, que prevê 9% de reajuste salarial (1,5% de aumento real). O índice vale para o cálculo de todas as verbas salariais, inclusive o tíquete-refeição e o vale-alimentação. Os valores são retroativos a 1º de setembro, data-base da categoria.

Para o  presidente do SEEB-RJ, Almir Aguiar,  “o índice é fruto de uma greve forte em que enfrentamos a intransigência dos bancos e a pressão do governo federal para tentar impedir o aumento real, uma conquista histórica dos últimos anos da qual  jamais abrimos mão. Até mesmo em função de um contexto político tão difícil, considero a atual proposta uma vitória de todos os bancários. Basta olhar para o desfecho da greve dos Correios para entender que a melhor saída é a aprovação da proposta e não o risco de entregarmos nosso destino à Justiça do Trabalho”. Os funcionários dos Correios fizeram uma greve de 28 dias e a decisão acabou no Tribunal Superior do Trabalho (TST), que definiu um índice rebaixado de 6,87%, além de desconto dos dias parados.

A proposta dos bancos inclui ainda cláusulas importantes, entre elas uma que coíbe o transporte de numerário por bancários e outra que põe fim à divulgação de rankings individuais dos funcionários, mais um instrumento de combate à prática de assédio moral.

Dias parados

Almir destaca ainda que este é oitavo ano seguido em que a categoria conquista aumento real de salário. Ele considera também as propostas do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal muito positivas. “Mais do que nos bancos privados, os funcionários dos bancos públicos derrotaram a pressão do governo federal, que queria ressuscitar o discurso monetarista de que salário gera inflação, tese que já sepultamos com o fim da era FHC”, afirma. Em relação aos dias parados, não haverá desconto, mas compensação até 15 de dezembro. Os bancos queriam estender este prazo até 30 de junho de 2012, o que foi rejeitado de imediato pelos bancários. A nova proposta da Fenaban prevê ainda maior Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e a valorização no piso salarial. Confira nos quadrosmais detalhes. 

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