Por Marcelo Prata

Foram 87 dias numa fazenda em Itu, que dessa vez nem choveu tanto. Num total de 16 participantes, sendo um expulso e outro vindo de repescagem de uma edição anterior. A fórmula sem grandes novidades para os realities nacionais do gênero de confinamento foi um avanço e tanto para a Record. “A Fazenda” não gosta de comparações, mas se autocompara ao dizer que em nenhum reality do país houve uma final entre três mulheres. “A Fazenda” precisa também de uma identidade e afinidade com o público, já esteve mais distante, mas ainda não é o que se espera. Hoje falaremos do quê mesmo?

O Britto

Sem dúvidas foi uma das mudanças positivas do programa. Sim, mudança. O Britto Jr. que acompanhamos nesta edição foi totalmente diferente das outras. Ainda pegando pesado em frases feitas e às vezes se comportando como um narrador de confinamento, Britto estava solto e afiado na apresentação. Perdeu o medo de interagir com os participantes. Teve mais autonomia para falar ao vivo. Falou, cutucou e atiçou os participantes. Soube dosar a ironia e o sarcasmo, sem perder a simpatia com o público.

O Elenco

Enfim um progresso. Elenco bom, bem produzido. Recheado de anônimos, mas dessa vez com personalidades marcantes. Colocando na balança, soube-se escolher e equilibrar as peças. Enquanto de um lado havia uma “personalidade da mídia” Renata Banhara, de outro havia um apresentador conhecidíssimo, João Kleber. E assim foi, de uma lado Joana Machado, de outro Monique Evans. Para cada “pseudo-celebridade” encontrávamos um rosto mais conhecido.

Os Protagonistas

As personalidades fortes foram fundamentais para essa edição do reality. Muitas brigas, muitas discussões. Souberam aproveitar isso. Ainda fracionando muito os fatos, exibindo acontecimentos dias depois nos programas ao vivo, mas souberam aproveitar. O programa ainda perde muito com a saída de participantes, falta criatividade para elaborar material bom, quando o que acontece na casa não é tão bom assim. Mas comparado as outras edições, tivemos um salto de melhoria na quarta temporada.

Os Animais

O grande diferencial deste reality ganhou o destaque que merecia. A ponto de se ouvir desabafos com lhamas, bate-papos com porcos e discussões por causa de cabras. Por falar em cabras, elas também foram peça-chave na edição. Prova disso, foi a questão de Thiago Gagliasso maltratar, ou não, os animais. 

Temperatura

O reality começou morno com as brigas de Renata Banhara aquecendo o programa, logo em seguida a temperatura subiu e seguiu com uma séries de fatos importantes. João Kleber fazendeiro, Joana fazendeira, expulsão de Duda, entrada de Bolina, Gui Pádua e Anna, Gui Pádua e Joana chegando ao ponto de virar apenas Joana, Gui Pádua e o resto. Com a saída dos participantes, a temperatura foi esfriando e faltou estímulo da produção para conseguir reerguer o reality. “A Fazenda” acabou realmente semanas atrás, depois disso pouco se viu, pouco se ouviu.

A vencedora

Joana mereceu ganhar. Não veja esse mereceu como merecimento externo, como família ou necessidade. Mereceu, pois boa parte do sabor do reality partiu de seu temperamento. As melhores intrigas e discussões contaram com sua presença, as melhores provas disputadas, contaram com sua garra. Joana foi fundamental para a quarta temporada de “A Fazenda”. Ganhar foi um reflexo natural de sua atuação no programa.

A esperança

É o que fica com o fim deste reality. Que os erros se tornem acertos na próxima temporada. Que a produção melhore ainda mais. Que Britto Jr. continue se aperfeiçoando. Que o programa ganhe credibilidade suficiente para não ter que ficar citando a auditoria nas votações. Que os animais tenham sossego, pois eles sim, coitadinhos, merecem descanso.
Marcelo Prata é jornalista. Trabalha há 10 anos em comunicação. Participou de grandes emissoras, pequenas emissoras e emissoras que não se pode enxergar a olho nu.

(Portal Na telinha)

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