Representantes dos Correios e dos funcionários que estão em greve há 24 dias não conseguiram chegar a um acordo nesta sexta-feira, na última audiência de conciliação no Tribunal Superior do Trabalho (TST) entre as partes na tentativa de por fim à paralisação da categoria. O julgamento de dissídio coletivo está marcado para a próxima terça-feira. A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) espera que o TST julgue a greve abusiva.

Ontem, o presidente do TST, João Oreste Dalazen, determinou que todas as agências dos Correios mantivessem, pelo menos, 40% dos funcionários trabalhando. O ministro mediou a audiência entre as partes nesta sexta. A sugestão do presidente do TST foi a devolução imediata do valor correspondente aos seis dias já descontados, com o parcelamento em 12 vezes a partir do ano que vem e compensação dos demais dias parados em sábados, domingos e feriados, além do pagamento imediato de um abono de R$ 800 e ganho real linear de R$ 60 a partir de janeiro de 2012. A proposta não foi aceita pelos grevistas.

Uma assembleia geral dos grevistas está marcada para a próxima segunda-feira. Até o dia do julgamento do dissídio, na próxima terça, os grevistas podem decidir por aceitar a nova proposta.

O principal ponto de discórdia são os dias parados. A Federação Nacional dos Empregados em Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) não quer que haja desconto no salário e que os dias em greve sejam compensados com trabalho extraordinário até que o fluxo postal se normalize. Segundo José Rivaldo da Silva, secretário-geral da Fentect, foi pela recusa da ECT em não descontar os dias que o acordo anterior, firmado na última terça-feira entre o comando de greve e os Correios, foi rejeitado em assembleia pelos 35 sindicatos.

O ministro Dalazen ponderou que com a ida da causa ao julgamento de dissídio, é possível que o salário dos grevistas seja descontado por todos os dias parados, sem a possibilidade de parcelamento. “Este anseio pelo não desconto dos dias parados poderá frustrar-se. Se o tribunal seguir outras decisões já tomadas, poderão ser descontados os 24 dias parados, e pode não ser de forma parcelada. Só em caso de greve por falta de pagamento de salário é que se justifica o não desconto dos dias parados”, disse.

(Portal Terra)