São Paulo – A população da Grande São Paulo é formada por 45,5% de imigrantes de outros estados, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado nesta quinta-feira (6). A maioria tem de 30 a 60 anos, faixa que coincide com o período de maior definição da vida profissional. Além desses, é possível que os nascidos fora da capital sejam parcela ainda maior, já que os paulistas naturais de fora da capital não foram incluídos no cálculo.

A base do estudo foram os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2009, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que não traz informações sobre a cidade de origem, apenas o estado. A pesquisa “Perfil dos Migrantes em São Paulo”, publicado na página do instituto, analisa a inserção social dos migrantes nacionais e estrangeiros que vivem na região.

Os baianos são o principal grupo, representando 11% do total da população, seguido pelos egressos de Minas Gerais (8%). Pernambucanos (7%), cearenses (3%) e paranaenses (4%) vêm a seguir. Nascidos em estados da região Norte somam 9% e, do Centro Oeste, 3%. Os estrangeiros alcançam apenas 1% dos 8,1 milhões pesquisados no estudo do PNAD.

A taxa de desemprego aberto entre diferentes grupos apresenta pouca variação em relação à média encontrada à época, de 6,9%. Parcelas menores de desocupados foram encontradas entre estrangeiros (4,3%) e nascidos em Minas Gerais (3,3%). A falta de emprego atingia 8% dos pernambucanos. Os autores do estudo não apresentaram razões possíveis para as diferenças.

O levantamento aponta diferenças entre o grau de apoio familiar entre paulistas e moradores de outros estados. Após os 30 anos, 14,8% dos paulistas que moram na capital vivem com os pais, enquanto 1,1% dos cearenses e 9,4% de média entre os habitantes. “Os paulistas contam com o apoio familiar por mais tempo, o que pode lhes proporcionar possibilidades melhores de formação profissional e inserção no mercado de trabalho”, diz o estudo.

Em termos de escolaridade, os nordestinos em São Paulo possuem menos tempo de estudo – 59% dos baianos não concluíram o ensino fundamental (ante 34,8% de média), por exemplo. Dos estrangeiros, 46% têm ensino superior completo, quase duas vezes o percentual de paulistas nessa condição.

Os pernambucanos são os que, ainda de acordo com o PNAD, têm menos acesso à internet. Nos três meses anteriores à pesquisa, apenas 21,1% deles haviam usado a rede, menos da metade da média geral, de 47,3% dos moradores da região em geral.

Outras regiões

O percentual de migrantes na região metropolitana da capital só é superado no país por Brasília, onde 75% nasceram em outras cidades. Parte da explicação pode decorrer do fato de se tratar de uma cidade inaugurada há 51 anos e que abriga a capital do país, para onde convergem pessoas de diferentes partes. Além disso, trata-se de uma cidade com estatuto de unidade da federação, equivalente ao dos estados – assim, no caso de Brasília, quem nasce em outra cidade obrigatoriamente é considerado natural de outro estado.

Em média, nas dez regiões metropolitanas analisadas, 26,9% dos habitantes nasceram em outros estados. Porto Alegre possui o menor percentual, com apenas 6% de cidadãos não gaúchos vivendo na capital.

(Rede Brasil Atual)

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