O Tribunal Regional do Trabalho da 19ª Região (TRT-AL) concedeu liminar ao Sindicato dos Bancários de Alagoas cassando os interditos proibitórios que mantinham abertas as agências do Bradesco e Itaú em Maceió. Com esta decisão, os bancários retomaram a greve nos dois bancos fechando mais de 95% das unidades. Apenas duas agências, localizadas no Shopping Pátio, funcionam esta manhã.

Esta é a primeira vez que o TRT de Alagoas cassa interditos proibitórios de bancos privados durante paralisação dos bancários. O Sindicato da categoria também entrou com recurso contra os interditos concedidos ao HSBC, que mantém duas unidades do banco abertas em Maceió.

Segundo o despacho do Tribunal, que derruba sentença da primeira instância, a greve dos bancários tem se dado de forma pacífica e nenhum ato de turbação foi cometido que possa justificar o interdito para os bancos. Tal instrumento, acrescenta o Tribunal, fere direito líquido e dos trabalhadores representados pelo Sindicato, uma vez que frustra o livre exercício do direito de reunião e greve, garantidos pela Constituição Federal.

O TRT acrescenta que “é da essência da greve a prática de atos coletivos, sendo os piquetes, afixação de cartazes, carros de som, e a ocupação de estabelecimento exemplos de realização de movimento paredista. Tais métodos são legítimos, enquanto instrumento pacífico tendente a persuadir os trabalhadores a aderirem à greve”.

Agências fechadas

Com a decisão, 133 unidades de um total de 153 estão fechadas. De acordo com o sindicato, todas as agências dos bancos Santander, Nordeste e Safra estão sem funcionar.

Do Banco do Brasil, 66 estão fechadas, de um total de 73; Caixa Econômica, 26 fechadas, de um total de 32; no Bradesco são 10, de um total de 14; no Itaú, apenas uma está aberta; No HSBC, uma está fechada e duas funcionando.
Reivindicações
A greve começou no último dia 27, após a rejeição da proposta de reajuste de 8% apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), que representa apenas 0,56% de aumento real para os bancários. A categoria reivindica reajuste de 12,8% (aumento real de 5% mais inflação do período), valorização do piso, maior Participação nos Lucros e Resultados (PLR), mais contratações, fim da rotatividade, fim das metas abusivas, combate ao assédio moral, mais segurança, igualdade de oportunidades e melhoria do atendimento dos clientes.

O Comando Nacional dos Bancários está de plantão desde terça-feira (4), em São Paulo, para retomar o processo de negociações com os bancos. Mas nem a Fenaban nem os bancos públicos acenaram com negociação.

(Primeira Edição)

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