Antigamente, os bancos empregavam exércitos de bancários. Depois, eles substituíram muitos deles por caixas eletrônicos. Agora, a Índia está usando uma solução híbrida dos dois – o caixa eletrônico humano – para expandir as operações financeiras para sua vasta população rural.

Swati Yashwant, uma mãe de 29 anos de idade, faz parte de uma crescente legião de bancários nômades que buscam oferecer contas bancárias para quase 50% dos 300 milhões de lares da Índia que ainda não as têm. Usando um laptop, um modem wireless e um leitor de impressões digitais, Yashwant abre contas, recebe depósitos e realiza transferências de dinheiro para os agricultores e trabalhadores migrantes nesta pequena cidade 70 milhas ao sul de Mumbai, a capital financeira da Índia.

Para reduzir o risco de roubo ou furto, por lei nenhuma transação pode ser superior a 10 mil rúpias (cerca de US$ 212). E, na prática, muitas não passam de um ou dois dólares. Mas, com a maior parte da população da Índia vivendo em aldeias que nunca tiveram uma agência bancária, Yashwant, com seu dispositivos eletrônicos, é uma missionária da modernidade financeira.

Muitos indianos “não sabem nada sobre o sistema bancário”, disse ela em seu pequeno escritório decorado com uma imagem de Ganesh, o deus hindu que supostamente ajuda a remover os obstáculos. “Eu quero abrir suas contas e ajudá-los a entender o banco.”

Economistas e políticos dizem que agentes como Yashwant – que também são empregadas em países como Brasil, México e Quênia – representam um dos caminhos mais promissores para ajudar os pobres da zona rural a economizar e proteger o seu dinheiro. Muitas pessoas na Índia que não têm contas bancárias, por exemplo, compram colares de ouro ou simplesmente guardam o dinheiro em suas casas.

“Isso é algo que pode ser poderoso”, disse Abhijit V. Banerjee, um economista do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, que escreveu “Poor Economics: A Radical Rethinking of the Way to Fight Global Poverty” com Esther Duflo.

Os agentes bancários possibilitam que os pobres possam facilmente poupar dinheiro que de outra forma poderiam querer gastar, disse Banerjee. E quando os tempos são de vacas magras, essas pessoas podem retirar o dinheiro guardado, em vez de pedir dinheiro a taxas elevadas de juros.

As contas atualmente rendem 4% de juros anuais, que é o padrão para contas de poupança na Índia. Não há taxas de manutenção, de depósitos ou saques.

“É verdade que isso não os irá tornar ricos”, disse Banerjee, “mas irá torná-los menos propensos a passar fome um dia.”

Yashwant é uma dos 60 mil estimados bancários mais conhecidos no país como “correspondentes de negócios”, que não são funcionários do banco, mas ganham comissões por cada transação.

O Reserve Bank of India, o banco central do país, começou a apostar nos correspondentes há cerca de cinco anos atrás. Após um crescimento inicial lento, o banco central prevê que o número de agentes irá dobrar, chegando a 126 mil, até março. O Reserve Bank ordenou aos bancos comerciais que posicionem correspondentes em todas as aldeias com mais de 2.000 pessoas e tem atribuído cada aldeia a um banco.

Para os bancos da Índia, essa é uma forma relativamente barata de recrutar clientes. Enquanto cerca de 70% da população da Índia é dispersa em mais de 600 mil aldeias, o país inteiro tem apenas 33.500 agências bancárias. Correspondentes como Yashwant criaram 74 milhões de contas bancárias na Índia.

“Se você usar o sistema bancário tradicional, de alto custo, você nunca vai chegar a estas pessoas”, disse Jayant Sinha, que é diretor do escritório da Omidyar Network, uma empresa de investimento filantrópica criada por Pierre Omidyar M., o fundador do eBay.

Yashwant já atua como correspondente em Kolad há quatro meses, para o State Bank, o maior banco da Índia. Os cerca de US$ 200 que ela ganha em um mês é um bom salário na Índia rural, onde a renda média mensal é de cerca de US$65.

(IG Economia)

Anúncios