No segundo dia da greve nacional dos bancários, mais 2.057 agências ficaram fechadas, elevando para 6.248 o número de estabelecimentos afetados pela paralisação, segundo informações da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).

A greve afeta, portanto, 31,13% das 20.073 agências bancárias instaladas no país, segundo dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). O balanço da Contraf foi feito com base em dados enviados pelos sindicatos até as 18h.

Segundo dia de greve dos bancários (Foto: Leo Barrilari/AE)Trabalhadores querem 12,8% de reajuste salarial; sindicato patronal oferece 8% de aumento (Foto: Leo Barrilari/AE)

 

Segundo a Contraf, os bancários de Roraima – único estado ainda fora da mobilização – aprovaram a deflagração de greve em assembleia realizada na noite de terça-feira (27) e deverão se juntar ao movimento a partir da próxima segunda-feira (3).

“O movimento está aumentando rápido de acordo com os relatos de sindicatos de todo o país. A força da greve é proporcional à insatisfação dos bancários, que cresce a cada dia sem manifestação por parte dos bancos”, diz, em nota, Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional dos Bancários.

Embora reitere que os trabalhadores estão “abertos para a retomada das negociações” com os bancos, Cordeiro diz que, enquanto não houver uma nova proposta, o Comando Nacional trabalha para fortalecer cada vez mais o movimento grevista.

Em nota, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) informa que “segue aguardando a retomada das conversações com o Comando Nacional dos Bancários, visando a construção de uma proposta que leve a um acordo”.

De acordo com a entidade patronal, a paralisação dos bancários segue parcial, com muitas agências em funcionamento por todo o Brasil, mas, ainda assim, “causando muitos transtornos à população”.

A orientação da Fenaban é que as pessoas busquem canais alternativos para a realização de operações bancárias.

Histórico
Os bancários entraram em greve por tempo indeterminado, após a quinta rodada de negociações com a Fenaban, ocorrida na última sexta-feira (23). A proposta patronal contemplava reajuste de 8% sobre os salários, o que representa aumento real de 0,56%, segundo a Contraf. A reivindicação da categoria é de 12,8% de reajuste, sendo 5% de aumento real.

Os bancários pedem, ainda, valorização do piso, maior Participação nos Lucros e Resultados (PLR), mais contratações, fim da rotatividade, melhoria do atendimento aos clientes, fim das metas abusivas e do assédio moral, mais segurança e igualdade de oportunidades.

“O Brasil é um dos países com maior diferença entre os salários. Aqui, um executivo de banco chega a ganhar 400 vezes a renda do piso de um bancário. É preciso modificar essa situação, que contribui para que mantenhamos uma vergonhosa posição entre as dez nações mais desiguais do mundo”, sustenta o presidente da Contraf-CUT.

(G1)

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