As grandes redes varejistas do País querem garantir a sua fatia neste fermentado bolo do mercado consumidor nordestino. E quem já está por aqui, procura ampliar sua presença nestas praças. Grupos como Casas Bahia, Magazine Luíza e a cearense Rabelo se mostram ávidos por novos espaços e promovem uma verdadeira corrida expansionista pela região.

A Rabelo, que só não possui lojas no Sergipe, dentro do Nordeste, deverá chegar ao fim do ano contabilizando 40 novas filiais, chegando a 100 unidades ao todo. No Ceará, a presença já é marcante, e os planos são de agora chegar à totalidade dos estados nordestinos, e mesmo dobrar o seu número de estabelecimentos em alguns anos, como já chegaram a afirmar diretores da rede.

Lojas chegam ao Nordeste

Se espraiando de maneira ainda mais voraz vem as Casas Bahia, maior rede de eletroeletrônicos do Brasil. Até então, a rede só estava presente, na região, na Bahia – apesar do nome, a varejista é de São Paulo – e em Aracaju. Neste ano, Ceará e Pernambuco passarão a contar com unidades do grupo.

No Ceará, a porta de entrada é a Capital, que abrirá, até o fim do ano, duas lojas, uma no Shopping Center Um (Aldeota) e outra na Praça do Ferreira (Centro). As unidades do Sine/CE (Sistema Nacional de Empregos) já estão recebendo os currículos dos candidatos às 80 vagas de emprego que estão sendo ofertadas pelas Casas Bahia.

Já em Pernambuco, a rede entrará por Petrolina, que terá uma unidade inaugurada até o fim de novembro.

O Magazine Luíza começou a entrar no Nordeste através da rede paraibana Lojas Maia, que adquiriu em julho do ano passado e, de lá pra cá, vem continuando sua estratégia de expansão pela região.

A empresa possui 11 lojas na Capital cearense, adaptadas de unidades já existentes das Lojas Maia, além de uma loja na Washington Soares, inaugurada no primeiro semestre, que foi a primeira do Nordeste a incorporar o conceito da rede varejista.

Alimentos em destaque

Mas não somente no segmento de venda de eletroeletrônicos o varejo vem se expandindo pelo Nordeste. Um dos principais destaques está na área alimentícia, com a forte ampliação de redes de supermercados, como é o caso do Grupo Pão de Açúcar, que abriu três lojas em Fortaleza em 2009 e uma outra em Caucaia, além de reinaugurar, no ano passado, a unidade do Shopping Center Um, a primeira do grupo a ser inaugurada fora de São Paulo. O grupo agora investe na expansão da rede para cidades vizinhas às capitais.

Também se expande pelo Nordeste a rede de restaurantes Giraffas, a quarta maior do País. Até o fim do ano, a rede abrirá mais quatro franquias nas cidades de Campina Grande, na Paraíba; Fortaleza e Juazeiro do Norte, no Ceará; e em Porto Seguro, na Bahia. Ao todo serão investidos cerca de R$ 3 milhões nas unidades. (SS)

SALÁRIOS NÃO ACOMPANHAM
Remuneração ainda é a pior do Brasil

O número de empresas do comércio varejista e, consequentemente, de empregos neste setor, no Nordeste, tem crescido em patamares elevados e constantes. Entretanto, apesar de a região vir ganhando importância no País perante os investidores, os trabalhadores não têm encontrado em seu salário um reflexo desta expansão de investimentos. As remunerações do varejo no mercado nordestino continuam sendo as piores do Brasil. Os dados do Anuário Estatístico da Rais comprovam: o valor médio dos rendimentos dos trabalhadores na região saiu de R$ 501,96, em dezembro de 2005, para R$ 797,29 em dezembro de 2010.

A evolução neste período é de 58%, percentual bem inferior ao incremento do salário mínimo no período, que foi de 70% (saindo de R$ 300 para R$ 510). O valor da remuneração dos trabalhadores nordestinos, em 2005, era inferior em R$ 168,23 à média nacional e, no final do ano passado, a diferença se ampliou para R$ 238,28.

Diferença de gênero

O valor médio no Brasil, em dezembro de 2010, foi de R$ 1.035,57. O resultado do Nordeste é, inclusive, bem abaixo do observado no Norte, que teve remuneração por trabalhador de R$ 919,51, um montante superior em R$ 122,22 ao nordestino. Os dados da Rais apontam também que ainda persiste a diferença nas remunerações entre homens e mulheres, estas recebendo bem menos.

Em 2010, elas passaram a receber R$ 752,69 e eles, R$ 828,92. (SS)

(Diário do Nordeste)