A Polícia Federal (PF) desencadeou a Operação “Canal Vermelho II” no Ceará e em outros quatro estados. O trabalho culminou no cumprimento de 31 mandados de busca e apreensão e cinco de prisões temporárias. Além do Ceará, a ação conjunta da PF com a Receita Federal foi realizada no Paraná, Distrito Federal, Minas Gerais e São Paulo.

O trabalho de ontem foi um desdobramento da “Canal Vermelho I”, quando, em agosto do ano passado, o iraniano Farhad Marvizi, 47, acusado de mandar matar 11 pessoas em Fortaleza, foi preso. Ele ainda é apontado como líder de uma organização criminosa que contrabandeava produtos eletroeletrônicos. Ele foi preso no Ceará há um ano e um mês.

A operação Canal Vermelho II teve como objetivo desarticular um esquema de fornecimento de mercadorias contrabandeadas em todo o Brasil. No Ceará, foram identificados 13 estabelecimentos comerciais em Fortaleza, Maracanaú e Quixadá. No locais, foram apreendidas 83 caixas de produtos eletroeletrônicos avaliados em R$ 700 mil.

As mercadorias, em sua maioria celulares e notebooks, são frutos de contrabandos e descaminhos. Os proprietários não foram localizados. No entanto, segundo o superintendente da PF, Luciano Caron, eles serão notificados a prestar esclarecimentos sobre a propriedade das lojas e dos produtos.

Segundo o levantamento do superintendente da Receita Federal no Ceará, Marcellus Ribeiro Alves, a operação resultou num total de 553 volumes apreendidos. A mercadoria foi avaliada em 4,4 milhões. Além dos produtos apreendidos, cinco pessoas – apontadas como “grandes fornecedores” de mercadorias contrabandeadas em todo o Brasil -, foram presas. Das cinco, uma foi detida em Foz do Iguaçu, no Paraná; uma em Uberlândia (Minas Gerais); e três em São Paulo, entre elas um chinês que comandava o esquema de distribuição no Estado.

 

Esquema no Ceará

A operação Canal Vermelho II é o resultado de uma investigação que começou em dezembro de 2008, com o atentado contra o auditor fiscal da Receita Federal José de Jesus Ferreira. Conforme Luciano Caron, na época, o auditor era chefe da Divisão de Repressão ao Contrabando no Ceará e investigava o iraniano Marvizi.

No decorrer das investigações, a Polícia descobriu que os negócios do iraniano Farhad Marvizi iam além do comércio de mercadoria ilegais vindas do Paraguai. O grupo estaria envolvido também com homicídios no Ceará. De acordo com o superintendente da PF, o iraniano mandava eliminar quem interferia em seus negócios. Caso do atentado contra o auditor fiscal e concorrentes.
O quê

ENTENDA A NOTÍCIA
Para a Polícia Federal, a operação foi concluída. Foi desarticulada uma rede nacional de distribuição de contrabando, com atuação também no Ceará. Comerciantes que vendiam produtos ilegais foram presos.

SAIBA MAIS

Dois homens acusados de tentar matar o auditor da Receita Federal Jesus Ferreira foram presos pela Polícia Federal (PF). Um terceiro envolvido está sendo procurado pela Polícia.

O iraniano Farhad Marvizi é apontado como mandante do crime. Ele foi preso em agosto do ano passado, acusado de liderar uma organização criminosa voltada para contrabando e descaminho de produtos eletrônicos. Ele é acusado de mandar matar 11 pessoas em Fortaleza.

Os presos são M. S. L., de 20 anos, que teria efetuado os disparos na direção do auditor, e L. P. F., de 49 anos, que também estava na moto. Os dois, conforme a Polícia Federal, confessaram a participação no crime.

Um deles já estava detido porque responde a outros crimes. Está recolhido no IPPOO. O outro não tem antecedentes criminais.

(Aline Braga – O Povo Online)