Inúmeros desafios. Quem sofre alguma deficência física se desdobra para se locomover por ruas e avenidas na maioria das cidades brasileiras. Em Piracicaba, a situação não é diferente. Na semana em que a cidade realizou a  6ª edição da Semana da Acessibilidade e Inclusão, o EP Piracicaba mostra a realidade da cadeirante Silvana Montebelli, de 45 anos, que exemplifica a dificuldade de boa parte dos deficientes. Calçadas esburacadas, falta de guias rebaixadas e locais que não possuem sinalização adequada são alguns dos problemas enfrentados diariamente. 

Na cidade, foram localizadas até o momento pelo menos 2.087 pessoas com deficiência, inseridas no cadastro único e usuários do Benefício de Prestação Continuada (BPC). É o que aponta a 1ª etapa do Cadastramento Municipal das Pessoas com Deficiência (Camped), realizado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Semdes) em parceria com o Centro de Reabilitação (CRP). O início da 2ª etapa do cadastramento está previsto para o próximo mês.

“As calçadas são esburacadas e muitos locais não possuem guias rebaixadas. É completamente impossível para um cadeirante descer por um local que não tenha guia rebaixada. Mesmo os locais que têm, muitas vezes são mal feitos e dificultam bastante que se passe”, comenta Silvana, que apesar da dificuldade – nasceu com paralisia cerebral – trabalha diariamente com a venda de cosméticos. O maior obstáculo, no entanto, não está nas ruas ou no transporte público: o preconceito é o que mais incomoda a cadeirante.

“Quando comecei a trabalhar com a venda desses produtos, eu não tinha cliente algum. Tive que ir de porta em porta me apresentando para saber se as pessoas queriam comprar. Certo dia eu toquei a campanhia, uma mulher atendeu e disse que não tinha esmola pra me dar, sem me perguntar nada antes. Só aí eu disse que era vendedora”, conta.

Transporte
Quando quer sair e ir a algum local, Silvana conta com a ajuda de um taxista de confiança, que já aprendeu a lidar com os problemas e a ajuda.”E quem não pode pagar um taxista como eu posso? Depender dos ônibus é complicado”. Piracicaba conta com o Projeto Elevar, que disponibiliza dez veículos para o transporte de pessoas com necessidades especiais.”O problema do Elevar é que há muita gente pra pouco veículo, o tempo de espera é muito grande”, conta.

De acordo com o secretário municipal de Trânsito e Transportes, Paulo Prates, 50 dos 225 ônibus do transporte público de Piracicaba possuem elevador para atender pessoas com necessidades especiais. Prates disse que, segundo a lei federal n° 10.098. até 2014, 100% da frota terá que ser adaptada com elevador ou plataforma. “Estamos trabalhando para isso ser cumprido até antes desse prazo”.

Muito o que fazer
O vereador André Bandeira (PSDB), presidente do Fórum Permanente da Pessoa com Deficiência, disse que Piracicaba já melhorou rezoavelmente na questão da acessibilidade, mas reconhece que ainda há muito a ser feito.Bandeira, diferentemente de Silvana, não é cadeirante desde a infância. Ele perdeu os movimentos após um acidente de carro, há 15 anos. A realidade é completamente diferente e o tempo para se adequar é duro.

“Quando você nasce assim, é difícil, mas não há uma outra experiência. No meu caso, foi complicado para se acostumar. Perde-se a vontade de viver por um momento. Mas aí o tempo passa e a gente vê que é possível sonhar de novo, basta ir atrás disso”, falou.  

Silvana finaliza reclamando da falta de estrutura das lojas da cidade para receber os portadores de necessidades especiais. De acordo com ela, poucos são os estabelecimentos que possuem sedes adequadas para receber os consumidores.

“Eles têm que entender que nós também somos consumidores. Por que não podemos ir adequadamente até esse lugares? É muito ruim isso. Quando eu quero comprar alguma roupa, eu preciso chamar a vendedora para vir em casa. Chega a ser humilhante, de certa forma”.

(EPTV)