O jornalista Fausto Polesi, um dos fundadores do jornal Diário Grande ABC, morreu na madrugada desta quarta-feira, aos 81 anos, em sua casa, em São Bernardo. As causas ainda são desconhecidas, mas o mais provável é que tenha sido parada cardíaca. Ele deixa a mulher, Mathilde, os  filhos Alexandre e Cassiano e três netos.

Único dos fundadores do jornal nascido na região ­- em Santo André -, Fausto Polesi foi incansável na defesa de um jornalismo independente, imparcial, participativo e fiscalizador das ações dos poderes públicos. Editorialista que não media palavras para cobrar ações de todos os atores sociais, Fausto era contundente: “Nossos homens públicos, em sua maioria, pensam mais em si próprio que nos problemas da coletividade.”

Nascido em 31 de março de 1930 na Rua Coronel Alfredo Flaquer, Fausto Polesi fez o curso primário no Primeiro Grupo Escolar de Santo André, onde hoje é o museu da cidade. A família teve de se mudar  para São Paulo quando o pai, tecelão, conseguiu emprego em fábrica na região da Mooca, em 1941. A profissão, tradicional na família, o levou a também trabalhar na função, aos 14 anos. Foram 13 anos na profissão.

Leitor assíduo de jornais quando criança, Fausto só voltou a estudar já adulto, no curso de Madureza, na Praça da Sé. Ali conheceu Edson Danilo Dotto, publicitário ativo que já fazia o jornal do bairro onde morava, na Vila Zelina, na Capital. Convidado, lá foi Polesi numa sexta-feira ajudar no fechamento da edição do News Seller, o precursor do Diário do Grande ABC de hoje, junto com Ângelo Puga e Maury de Campos Dotto. E estreou escrevendo o editorial – comentário que indica a posição do jornal em relação aos fatos -, sua marca inconfundível em décadas no Diário do Grande ABC.

Quando decidiram montar o jornal  em Santo André, Fausto Polesi  abandonou o emprego para se dedicar de corpo e alma ao jornal, o que fez durante décadas. Como diretor de Redação do Diário, para Fausto Polesi não tinha feriado, Natal e Ano-Novo, pois no mínimo ele passava pelo prédio para saber das coisas e dar apoio aos jornalistas que estavam no plantão.

Doutor Fausto, como passou a ser chamado depois de fazer o curso de Direito, também é autor de duas coletâneas, fora a participação em livros variados. Ele lançou Editorias (1982), reúne material publicado no jornal. ‘Na Toca da Onça’ (1984) traz crônicas mais amenas publicadas e assinadas sob o pseudônimo Roterdan Cravo.

(Jornal do Brasil)