Os exames do ator Reynaldo Gianecchini, internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, desde o início do mês, concluíram que ele tem linfoma de células T — mais raro e agressivo que o tipo B (que corresponde a 80% desse tipo de câncer). Com essa informação, a equipe médica que trata do artista marcou para hoje a primeira sessão de quimioterapia. Embora o prognóstico varie de acordo com outras características das células doentes, a medicina trabalha com uma média de 30% de taxa de cura (quando o paciente passa cinco anos sem ter qualquer recidiva após o fim do tratamento).

Celso Arrais, especialista em hematologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ressalta, porém, que o sucesso do tratamento varia muito de acordo com os subtipos. “Além disso, há questões como a condição clínica, a idade, tudo isso conta. O que podemos dizer, sem medo de errar, é que, para o tipo T, não existem anticorpos específicos, como há para o tipo B. Então, temos que aumentar a dose da quimioterapia e, se for o caso, fazer transplante de medula com material do próprio paciente para que ele suporte bem o tratamento”, explica.

O tipo T do linfoma corresponde a menos de 10% dos casos, ao lado de um outro tipo também incomum, o NK. Além da falta de drogas poderosas, o tipo raro do câncer torna-se ainda mais difícil de tratar quando é descoberto em estágio avançado. Antonio Buzaid, uma das maiores referências no tema do país, explica que o linfoma dificilmente é descoberto em fase inicial. “O caso da presidente Dilma foi uma exceção, já que os médicos detectaram de forma incidental um único tumor localizado. Infelizmente, não é isso que costuma ocorrer”, afirma o especialista. Reynaldo Gianecchini vem recebendo visitas de amigos e parentes nos últimos dias. O pai do ator também se trata de um câncer.

(Portal Pernambuco)