O sorriso estampado no rosto de quem subiu ao palco da Marina da Glória, no Rio de Janeiro, para participar do sorteio dos grupos das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014, deu a falsa impressão de que o clima estava leve. Em meio ao clima de “guerra fria”, foi dado o pontapé inicial para o Mundial que será realizado no Brasil.

Primeira a discursar, a presidente da República, Dilma Rousseff, deu o tom do que viria a seguir. Foi bastante calorosa com Pelé, a quem nomeou como embaixador da Copa 2014, o chamando de “meu querido”, sendo fria e formal ao se referir a Ricardo Teixeira, presidente da CBF.

Na cerimônia, a presidente ficou em um local reservado, longe do dirigente e em nenhum momento o recebeu. Curiosamente, foi Pelé quem se sentou ao lado de Teixeira, que não o havia convidado para o evento. Os dois mal se falaram. Coube a Sergio Cabral, governador do Rio de Janeiro, e Eduardo Paes, prefeito da capital carioca, tentarem quebrar o clima, já que estavam próximos à dupla.

Se Pelé foi imposto por Dilma, Romário não teve a mesma sorte. Na mira de Ricardo Teixeira por estar investigando os gastos das obras nos estádios para a Copa, o Baixinho não foi convidado. Porém, não deixou de se fazer presente.

Quando Ronaldo Fenômeno subiu ao palco para ajudar no sorteio, o mestre de cerimônias o chamou de Romário, em uma das gafes da tarde. Antes, Cafu já havia se referido a Neymar como “Nilmar”.

Por outro lado, a Fifa, eterna aliada de Ricardo Teixeira, fez questão de demonstrar solidariedade ao cartola, alvo de protestos dos torcedores. O secretário-geral da entidade, Jeróme Valcke, que comandou o sorteio, fez questão de enaltecer o dirigente brasileiro “por tudo o que faz pelo esporte”.

Porém, do lado de fora o povo carioca deu prova de que está contra Ricardo Teixeira. Uma passeata reuniu cerca de mil pessoas, que saíram do bairro do Largo do Machado, vizinho ao local do evento, e caminhou até a Marina da Glória para pedir a saída do presidente da CBF.

Rio quer sediar sorteio final

A insatisfação popular se deve muito à série de denúncias que começaram a aparecer em relação ao cartola, mandatário da CBF desde 1989, e à falta da transparência nas obras. Desde junho a Rede Record vem apresentando uma série de matérias que apontam diversas denúncias.

Apesar da manifestação, o dirigente, que recentemente deu entrevista afirmando que “caga de montão” para as acusações, evitou dar declarações sobre a marcha dos cariocas, que em breve chegará à outras cidades.

Agora, ao menos, o carioca poderá voltar à sua vida normal. Isso porque, por conta da “festa” da Fifa, na qual foram gastos R$ 30 milhões pelo governo do Rio de Janeiro, o cidadão ainda teve de sofrer com esquema especial de trânsito e fechamento do aeroporto Santos Dumont por quatro horas.

(R7)

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