A escolha da ministra das Finanças francesa, Christine Lagarde, como nova diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) é a primeira de uma mulher, mas preserva o domínio europeu na cúpula da instituição.

A ministra francesa, de 55 anos, diz não ter dúvidas de que ser mulher é um ponto a seu favor.

“Apresento-me perante os senhores como uma mulher, com a esperança de contribuir à diversidade e ao equilíbrio desta instituição”, disse na quinta-feira passada em Washington perante os 24 membros do conselho executivo do FMI que a escolheram para ser a nova diretora-gerente da instituição.

O FMI tem apenas seis mulheres entre seus 30 principais executivos. Além disso, só 21,5% dos diretores na instituição são mulheres, contra 32% no Banco Mundial e 26% nas Nações Unidas.

Famosa por sua discreta elegância e sua fraqueza pelos trajes Chanel, Christine disse que é contra ter muitos homens em uma mesma instituição.

“Se eles ficam sós, os homens tendem a criar confusões”, disse em fevereiro ao jornal britânico “The Independent”.

Segundo ela, o colapso financeiro de 2008 foi fruto, em parte, do espírito agressivo dos homens no mundo das finanças.

Por isso ela defende uma maior presença feminina, que considera positiva sempre e quando as mulheres “aceitam ser elas próprias e não se dediquem aos jogos dos homens”, disse em maio à colunista do “The New York Times” Maureen Dowd.

“Dadas as circunstâncias, este é o momento ideal para se ter uma mulher no FMI”, disse à Agência Efe Colin Bradford, analista do Brookings Institution, em referência à súbita renúncia no mês passado de Dominique Strauss-Kahn, que deixou a direção do FMI após ser acusado de tentativa de estupro.

No entanto, ele também se disse “decepcionado” pelo fato de ser sempre um europeu a liderar o fundo.

O organismo esteve liderado por um europeu desde sua criação em 1945, em virtude de um pacto que também assegura a Presidência do Banco Mundial a um americano.

“Lamento que o conselho executivo do FMI não se esforce mais para impulsionar um processo de seleção de liderança claro”, afirmou Bradford, que criticou também o fato de os emergentes não terem demonstrado um maior interesse pelo cargo.

O governador do Banco Central do México, Agustín Carstens, foi o único concorrente de Lagarde e, apesar de ser candidato de um país emergente, não obteve o apoio de países como Brasil, China e Rússia, que apoiaram a ministra francesa.

Por sua vez, Daniel Kaufmann acredita que “dado o escândalo com Strauss-Kahn, França e Europa propuseram rapidamente uma mulher para perpetuar-se no poder”.

Para ele, no entanto, ele acredita que “uma mulher mais competente que Lagarde não seria selecionada se esta fosse da Índia ou de Israel”.

Apesar disso, ele acredita que a ministra francesa é “uma profissional capaz” e considera “saudável” que pela primeira vez uma mulher seja eleita para liderar o organismo.

Enquanto isso, influentes ONGs como a Oxfam criticaram nesta terça-feira a falta de um processo realmente democrático na seleção de um novo líder para o fundo e pediram a Christine que reduza o peso da Europa no organismo e aumente a voz de outros membros “O FMI necessita desesperadamente de reformas”, assinalou a Oxfam em comunicado.

Lagarde prometeu na semana passada que trabalhará para “adaptar continuamente a representação do fundo a uma em transformação realidade econômica”.

(EFE)