NOVA YORK – Considerada o berço do movimento pelos direitos dos homossexuais nos Estados Unidos, Nova York se tornou na noite desta sexta-feira o sexto estado americano a legalizar o casamento gay.

Com 33 dos 62 votos a favor – incluindo quatro de republicanos – o Senado estadual acompanhou a decisão da Câmara e decidiu pela legalização na mesma Nova York que, em 1969, manifestantes foram às ruas contra a perseguição aos homossexuais, num movimento que ficou conhecido como a rebelião de Stonewall. O governador Andrew Cuomo sancionou a lei.

Com a decisão, acredita-se que o estado – de longe o maior e mais importante entre os seis que legalizam a união – deva se tornar um ímã para casais em busca de reconhecimento, uma vez que é um dos poucos do país que não exige comprovante de residência para conceder uma licença de casamento.

Além de Nova York e da capital Washington, Massachusetts, Connecticut, Iowa, Vermont e New Hampshire reconhecem o casamento homossexual.

Os casamentos homossexuais poderão ser realizados dentro de 30 dias em Nova York. Instituições religiosas do estado não serão obrigadas a realizar cerimônias.

Senador homossexual se emociona

O senador democrata Tom Duane, único assumidamente gay, emocionou-se ao discursar:

– Sei que é um voto difícil, todos aqui são heróis. Peço aos meus colegas para votar “sim” por todos os nova-iorquinos, por mim e por Louis, meu companheiro – disse Duane.

A decisão veio um dia depois de o presidente Barack Obama declarar, num evento de gala com contribuintes da comunidade gay para sua campanha à reeleição em 2012, que Nova York estava fazendo exatamente o que se espera de uma democracia: debatendo o assunto.

– Acredito que casais gay merecem os mesmos direitos legais que qualquer outro casal neste país – disse Obama, sob aplausos de uma plateia que, no entanto, esperava apoio mais explícito ao casamento gay.

Como a legislação é estadual, alguns direitos, como o de pensão da Previdência Social ou das Forças Armadas, que estão na alçada federal, não estarão assegurados. O mesmo acontece com a questão da imigração: cônjuges estrangeiros não terão garantia de visto de residência. Outro direito que continuará a ser reivindicado é o de declarar Imposto de Renda como casal, o que permite deduções.

(O Globo Online)