O presidente do conselho do Banco Santander SA, Emilio Botín, e sua família se tornaram as mais recentes pessoas conhecidas a serem investigadas no caso de possível evasão fiscal gerado pelo vazamento de milhares de nomes de clientes do private bank do HSBC Holdings PLC na Suíça.

A Corte Nacional da Espanha anunciou que está investigando Botín e integrantes de sua família, como o irmão Jaime e a filha Ana Patricia, que comanda as operações britânicas do Santander. A corte, de Madri, afirmou que a investigação é relacionada a um inquérito mais amplo da receita federal da Espanha sobre clientes espanhóis do private bank do HSBC na Suíça, em que dois ex-empregados do HSBC não teriam divulgado apropriadamente a renda ligada a essas contas no banco entre 2005 e 2009.

A investigação de Botín e sua família é a mais recente consequência do vazamento perpetrado há três anos pelos ex-funcionários de arquivos sobre 24.000 clientes abastados. Cópias deles acabaram nas mãos das autoridades tributárias francesas, que usaram a montanha de dados para identificar pessoas que teriam sonegado impostos depositando dinheiro na Suíça.

As autoridades francesas entregaram os dados às espanholas em maior de 2010, gerando a presente investigação. A Itália também abriu uma investigação com base nos dados HSBC.

O caso novamente deixa o HSBC em evidência por problemas de evasão fiscal. Em abril, num inquérito separado, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos pediu a um tribunal federal que force o banco a divulgar os nomes de clientes americanos suspeitos de ter contas bancárias secretas na Índia. Um porta-voz do HSBC não quis comentar casos específicos, acrescentando que o banco não apoia evasão fiscal e respeita totalmente as autoridades tributárias dos EUA e de outros países.

A investigação da situação tributária da família Botín ocorre em meio a uma das piores crises financeiras da história da Espanha e pode alimentar a fúria de vários grupos que protestaram nas últimas semanas contra o alto desemprego e a falta de oportunidades para os jovens do país.

Segundo um documento divulgado pela Corte Nacional para descrever a investigação, a origem do investimento dos Botín na Suíça é uma conta aberta pelo pai de Emilio Botín, que morreu em 1993 e transferiu o dinheiro para os filhos e netos. A família Botín respondeu que já pagou 200 milhões de euros em impostos atrasados e espera que o novo caso seja arquivado.

“A família já normalizou total e voluntariamente a sua situação tributária”, disse um porta-voz da família.

O juiz da Corte Nacional Fernando Andreu disse num comunicado ontem que Botín e seus parentes apresentaram novas declaracões de imposto de renda sobre os anos em questão. Mas ele disse que as autoridades ainda não terminaram de analisar os novos arquivos. A investigação tinha de ser aberta oficialmente antes que caducassem os crimes ligados aos dados de 2005, prazo que termina este mês, disse Andreu.

Se confirmado que as novas declarações estão completas, a investigação de fraude será arquivada, disse Andreu. O governo da Suíça já declarou que não vai cooperar com nenhuma investigação motivada pelos dados em questão e protestou contra o fato de as autoridades francesas terem comprado os dados do HSBC.

Os Botín estão entre as figuras mais proeminentes envolvidas no caso dos dados suíços. Eles comandam o Santander há gerações e têm uma variedade ampla de investimentos empresariais na Espanha e no mundo.

Fonte: WSJ
(Colaboraram Deborah Ball, de Zurique, e David Roman, de Madri)

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