Após oito anos à frente do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), Roberto Smith diz que sai com a sensação de dever cumprido. O balanço de sua gestão é, sem dúvida, positivo. Segundo ele, o total de ativos do Banco hoje – conjunto de todo o estoque das carteiras de crédito, e de capital – gira em torno de R$ 55 bilhões. Além disso, a expectativa para este ano é superar as aplicações de 2010, que foram de R$ 21 bilhões, para alcançar os R$ 25 bilhões em investimentos.

Ontem, durante a cerimônia de sucessão da presidência do BNB, Smith chegou a afirmar que recebeu o cargo, em 2003, numa situação em que a instituição estava desacreditada pelos próprios clientes. Na época, as aplicações eram de apenas R$ 1,4 bilhão. “O maior desafio foi colocar para funcionar. O Banco operava muito pouco”, analisa.

Mais crescimento

A fase agora é de “massificação”, nas palavras do ex-presidente. Se em 2010 foram dois milhões e meio de operações, a meta para este ano é contabilizar três milhões, meio milhão a mais que no ano passado. Esses resultados já fazem do BNB o 8° banco do País.

Contudo, mesmo repassando “desenvolvimento”, Smith acredita que os desafios para o novo gestor serão ainda maiores. Jurandir Santiago terá que continuar o processo de crescimento, capitalizar o Banco e buscar recursos adequados ao financiamento de longo prazo.

O que se sabe é que a taxa de investimentos no Nordeste ainda é baixa, porque não há recursos disponíveis no mesmo volume da demanda. “Se existe empresários querendo investir na região, não faz sentido contingenciar crédito. Não se pode injetar dinheiro só no BNDES, é hora de enviar para o BNB também, para que se possa atender aos clientes”, ressalta Roberto Smith, que explica que esse não é um pedido de esmola, e sim de condições para gerar emprego e produção para o desenvolvimento do Nordeste, que “é a fronteira de crescimento do Brasil”.

Foco no microcrédito

Algumas das políticas que devem ser prioridade na gestão de Jurandir Santiago são, primeiro, dobrar o Crediamigo e continuar crescendo no Agroamigo. A micro e pequena empresa, que ainda tem um vasto espaço de expansão, também é foco.

Sobre isso, o superintendente do Sebrae no Ceará, Carlos Cruz, disse que tem absoluta certeza que a parcerias entre BNB e Sebrae vão dar um salto de qualidade nas condições de competitividade dos pequenos empreendedores. Ele afirmou que já está assinado um convênio, que será revitalizado, onde o BNB disponibiliza recursos de até R$ 50 mil, sem a necessidade de ter a garantia real, que é um grande entrave para liberação de crédito. No total serão liberados R$50 milhões só ao Estado do Ceará.

Diretoria em aberto

Para o ex-presidente do BNB, a demora na escolha do atual gestor até gerou um clima de desassossego, mas agora o que paira é a tranquilidade, já que Jurandir foi um nome escolhido dentro das mesmas diretrizes que pautou a sua condição no Banco. Ele ainda disse que a diretoria até agora não foi definida.

Novos Rumos

Agora, segundo Roberto Smith, o momento é de descanso. Sobre o futuro, ele reiterou que não houve, por parte do Governo Estadual, nenhum convite oficial para assumir a Adece ou qualquer outro cargo.

“Serão quatro meses sabáticos”, concluiu.

Bastidores

Um susto marcou a cerimônia. O palco cedeu e obrigou todos os convidados a descerem

Trêmulo, Jurandir Santiago não escondeu o nervosismo durante seu discurso de posse.

O presidente emocionou o público quando contou que já vendeu “dindim” em Russas

Parte do secretariado estadual, e empresários do Ceará acompanharam a sucessão

ANA CAROLINA QUINTELA – Diário do Nordeste

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