Fantasia é a realidade vestida daquilo que é irreal.

A fantasia opera com os nuances do imaginário, ou seja, com aquilo que pode vir a ser, e, portanto, exclui a realidade da sua esfera de ação.

Por isso toda fantasia é perigosa, pois exclui a gente da realidade da gente.

Toda vez que a fantasia invade o interior da gente, ela cria sofismas – quando não muito – fantasmas que assombram a gente mesmo, pois passamos a viver em função da fantasia que temos. E ao fantasma da fantasia chamamos de paranóia.

Também, a própria fantasia se fantasia – sim, ela nunca vem a nós com a cara que tem – mas com a cara que queremos vê-la, ou seja, fantasiada pela própria fantasia que criamos.

Tem muita gente que se perde da gente e de si, por que se pega a fantasia como fato a ser vivido e esquece que a vida só pode ser vivida na realidade. Cria para si um mundo de fantasia, para fugir daquilo que se é, se vive ou sente a seu próprio respeito, ou a respeito do mundo que o cerca.

E para manter viva a fantasia, vamos pelo caminho matando e eliminando não apenas a realidade, mas também aqueles que nos fazem ver a realidade. Assim, todo aquele que me traz de volta a realidade é o inimigo da minha fantasia, e, portanto inimigo de mim, mesmo sendo amigo do que sou.

Quem fantasia assim nunca estará acompanhado, pois para se ter a companhia do outro é necessário que o outro também fantasie a fantasia dele, e tal ação é irreal pelas próprias demandas que pedem.

Se você está no mundo da fantasia lembre-se que apenas uma coisa lhe tira de lá: A realidade.

A realidade é nua e crua e por isso terapêutica. Quem enfrenta e vive a realidade, ainda que excruciante, tem a possibilidade de acordar da fantasia e continuar a viver. Pois para alguns, somente a dor da vida o mantém acordado para a realidade da vida.

A realidade trabalha com o aqui e agora, pois seu combustível é aquilo que é, e não o que poderia ser. Portanto, cada vez que me deixo levar pelo real, eu me movo de verdade em direção aquilo que sou e daquilo que devo ser. Movo-me em direção ao real.

A realidade penetra a verdade – por isso chama-se real. Assim sendo subtrai-se de dentro de nós toda a mentira criada pela fantasia. Portanto, mesmo que a ausência da fantasia possa empobrecer a existência de alguém, ainda assim, é preferível uma existência pobre e real, a uma ilusão fantasiosa.

Sim, quem caminha pela vida da fantasia corre um risco enorme de morrer na colisão com a realidade, pois uma anda na contramão da outra.

Se este for teu caso.

Acorde.

Pense nisso.

(Por Marcelo Sátiro – Site do Marcelo Sátiro)

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