Já dizia a terceira lei de Newton, “toda a ação provoca uma reação”. Já esperava que minhas decisões impactassem minha vida, mas não imaginava tantas provações…

Desde que o Senhor me colocou no coração a vontade de me tornar evangélica, tenho me perguntando se fui eu que optei por uma mudança ou se foram as pessoas que hoje são diferentes. Esta situação serviu para que eu pudesse separar o joio do trigo em minha vida (Mt 13, 24-30), Vejo hoje quem me ama de verdade e quem amava apenas os meus frutos… Enquanto me dediquei ao serviço, era útil e por isso merecia fazer parte. Agora que estamos em religiões diferentes – mas pelo mesmo ideal, a priori -, já não sou digna de estar ali.  Muitos me surpreenderam com uma cegueira religiosa, que supera o Cristo. Será que não percebem que Aquele que morreu na cruz por eles é o mesmo que morreu por mim? O que nos faz tão diferentes? Serão eles mais filhos de Deus do que eu?

Nunca pensei que existisse tanto preconceito no meio religioso. Sabem, quando conheci esta outra realidade e decidi seguir uma nova visão, estava certa de que continuaria com algumas ações. Acima de tudo, eu sabia que havia sido chamada pelo Senhor para servi-lo. Independente de onde eu estivesse (católica, evangélica ou outra), trabalhar com crianças, jovens e com artes era o meu ministério. Como eu me envolvia em cursos de pastorais, minha intenção era continuar colaborando e, de quebra, estar na companhia dos amigos que ficaram por lá. Para minha surpresa alguns consideraram que minha presença não traria bons resultados. Eu, que antes era uma amiga, me tornei uma ameaça. Passei anos de minha vida frequentando um lugar, amando as pessoas como se fossem da sua família, e, de repente, ao visitá-los sou tratada com indiferença. Tive a opção de participar, de enfrentar esta realidade, mas optei por não prejudicar o bom andamento do movimento. Meu coração está em trapos… me sinto enganada por “Judas” que conviveram comigo e por fim, me traíram. Mesmo assim, oro para que um dia percebam o que estão ceifando. É tanta dor… não só para mim, mas para todos aqueles que tem carinho por mim.

Contudo, posso dizer que sou abençoada por ter muitos queridos em minha vida, amigos que me amam, que são transparentes mesmo que tenhamos percepções diferentes, pois é o “Grande Eu Sou” que nos une. 

O que nos separa, amado leitor? No dia do juízo final teremos o mesmo julgamento. Somos iguais perante os olhos do Pai, um só corpo, uma unidade… “E rogo não somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim; para que todos sejam um; assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu em ti, que também eles sejam um em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste.” (Jo 17, 20-21). Se hoje você descrimina o irmão de outro credo, repense suas atitudes, pois se alguém diz que ama o Senhor e odeia seu irmão, é mentiroso. Quem não ama a seu irmão, ao qual viu, não pode amar a Deus, a quem não viu. (I Jo  4:20)

Uma semana de bênçãos sem preconceito!

(Diário de Canoas)