O ano de 1991 foi marcante para os cinéfilos de Fortaleza. A Vídeo Mostra Fortaleza surgiu no panorama cultural da cidade com o objetivo de exibir obras de cineastas locais. Quatro anos depois, já era uma mostra nacional e logo adotou o nome Cine Ceará – Festival Nacional de Cinema e Vídeo. Mais conhecido hoje como Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema, a 21ª edição do tradicional festival terá a temática Religião e Religiosidade de 8 a 15 de junho.

Realizado nos últimos anos no Cine São Luiz, o palco muda para o Theatro José de Alencar. Em entrevista ao Cinema com Rapadura, o diretor do Cine Ceará, Wolney Oliveira, apontou as vantagens do novo local. “É acusticamente melhor, teve todo o sistema de condicionador de ar renovado, possui um centro de convivência por meio dos jardins de Burle Marx, oferecendo mais segurança por estar inserido dentro do Theatro e ainda comporta no mínimo 800 pessoas”, contou.

O evento levará ao público cearense mais de 100 produções de cinema e vídeo brasileiras e ibero-americanas, promovendo o intercâmbio entre profissionais de audiovisual e abrindo espaço aos novos talentos da área. O Cine Ceará promove durante sua programação as Mostras Competitivas de Curta e Longa metragem e ainda seminários, oficinas e mostras especiais, além de homenagear profissionais e personalidades de renome nacional e internacional na área do audiovisual.

A lista de longas-metragens selecionados para Mostra Competitiva é composta por nove produções, todas inéditas no Brasil, sendo três nacionais: “O Coro” (foto), de Werner Schumann, escolhido como filme de abertura do festival; e dois filmes cearenses, “Homens com Cheiro de Flor”, de Joe Pimentel; e “Mãe e Filha”, de Petrus Cariry. Já a Mostra Competitiva de Curta Metragem, com produções nacionais, contará com 12 concorrentes.

“Ainda será feita uma exibição hors concours de ´Os Últimos Cangaceiros´, meu terceiro longa metragem que marca sua estreia mundial no 21º Cine Ceará”, completou Wolney sobre a programação do Cine Ceará, que terá também a Mostra Estela Bravo, um dos grandes nomes do documentário internacional, que irá lançar seu último média-metragem “Operação Peter Pan: Fechando o Círculo em Cuba”.

Outra novidade é que a programação terá entrada gratuita em Fortaleza, entre os dias 9 a 14 de junho (os dias 8 e 15 serão abertos apenas para convidados), o que facilita o acesso ao evento. Wolney lembra que a doação de alimentos ainda é preocupação do festival. “A Associação Cultural Cine Ceará irá adquirir uma quantidade de alimentos e doar às entidades que receberam os donativos nas edições anteriores”.

O Festival acontece pela primeira vez em duas sedes, homenageando os 100 anos de emancipação política de Juazeiro do Norte, conquistada por meio do trabalho social, religioso e político realizado pelo Padre Cícero na região do Cariri. Em Juazeiro, o Festival será realizado nos dias 9 a 16 de junho, no Memorial Padre Cícero e no Centro Cultural Banco do Nordeste – Cariri, com uma parte da programação de Fortaleza. Para mais informações, basta acessar o site do evento.

O criador

O cineasta cearense Wolney Oliveira é graduado em Administração de Empresas pela Universidade Estadual do Ceará e especializado em Cinema e Televisão na Escola Internacional de Cinema e Televisão, em Cuba. Hoje, atua como diretor da Casa Amarela Eusélio Oliveira, da UFC, e é o diretor executivo do festival Cine Ceará. Com vários prêmios e produções em sua carreira, estreou seu primeiro longa de ficção no 17º Cine Ceará, “A Ilha da Morte”, uma coprodução entre Brasil, Cuba e Espanha. Em exibição hors concours, Wolney apresentará “Os Últimos Cangaceiros”, seu primeiro documentário em longa metragem sobre o cangaço.

Essa matéria foi publicada na coluna do Cinema com Rapadura no suplemento Zoeira, do Jornal Diário do Nordeste (CE).