Ele quase não fala português, mas se preocupa muito com a realidade da ciência brasileira e a fuga de cérebros. O brasileiro Michel Nussenzweig foi eleito no último 3 de maio para a Academia Nacional de Ciências dos EUA na cota de pesquisadores americanos. E divide a honraria com apensas sete outros cientistas brasileiros.

Nussenzweig, que mudou para os Estados Unidos com os pais aos 12 anos, foi nomeado à Academia por outros cientistas e agora se prepara para lidar com os encargos que a participação na organização exige. “Terei responsabilidade em aconselhar o governo norte-americano em assuntos relacionados à minha experiência quando for requisitado”, diz. Além de ter o direito de publicar na revista científica da Academia, Proceedings of the National Academy of Sciences.

O cientista, que estudou medicina, é PhD pela Universidade Rockefeller e é uma das maiores autoridades em células dendríticas, células do sistema imunológico que podem manter a tolerância do organismo ou desencadear uma resposta de defesa aos agentes estranhos no corpo, e também em linfócitos B. Atualmente, ele treina estudantes de PhD e Pós-Doutorado e trabalha em instituições como o Pasteur, em Paris, e empresas de biotecnologia.

Ainda no campo da imunologia, seu laboratório pesquisa a clonagem de anticorpos que protegem contra a infecção pelo vírus da HIV em alguns seres humanos raros, que os produzem naturalmente. “Minha esperança é encontrar anticorpos úteis para o tratamento e entender como reproduzi-los em indivíduos não infectados [pelo HIV] para tentar produzir uma vacina”, conta Nussenzweig.

Apesar de ter tentado, o pesquisador nunca conseguiu trabalhar em parceria com instituições e cientistas brasileiros. Mas não desiste e espera ter sucesso em colaborações. Ele admite que conhece pouco a realidade da pesquisa científica no Brasil. No entanto, diz que o País deveria tentar aproveitar o conhecimento gerado por seus cientistas que estão fora. “Outras nações estão tirando vantagem de seus cientistas expatriados para acelerar a educação científica e inovação.”

Para ele, a China é um bom exemplo do aproveitamento do conhecimento gerado por seu povo no exterior para se tornar competitivo no mercado internacional. “O Brasil é uma potência emergente, mas está muito atrás de outros países em educação e ciência. Como o futuro vai depender muito mais de inovação e educação do que de recursos naturais, o Brasil deveria fazer um difícil, porém, necessário investimento nessas áreas”, completa.

(GALILEU ONLINE)

Anúncios