Policiais militares do Programa Ronda do Quarteirão, do Ceará, foram flagrados agredindo um suspeito no bairro Papicu, zona leste de Fortaleza. As imagens foram feitas pela câmera de um celular de um dos moradores.

Na gravação, realizada no último domingo (22), mas divulgada somente ontem (26), pelo menos três policiais atingem um jovem de camisa branca com golpes de cassetete, tapas e chutes.

De acordo com o comandante da Polícia Militar, coronel Werisleik Matias, os PMs foram chamados para atender a uma ocorrência de rapazes que se recusavam a pagar a passagem do ônibus. A população alega, entretanto, que os policiais receberam um chamado de assalto.

As imagens mostram quatro jovens em posição de abordagem (baculejo, na gíria policial), e um deles sofre várias agressões. Logo após o fim da violência, é possível ouvir no vídeo que a população suspeita de que os policiais estão dividindo o material que seria fruto do roubo.

O coronel Werisleik Matias informou que nove PMs participaram da agressão e já foram identificados. O comandante preferiu não revelar os nomes dos militares. “Os policiais já foram ouvidos e estão sendo afastados da atividade do Ronda”, disse.

Segundo ele, não foi registrada na Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops) nem nos telefones do Ronda nenhuma ocorrência de assalto naquela área, no dia e horário do ocorrido. Portanto, conforme conta, a divisão do material do roubo já foi descartada. “Ouvimos pessoas da comunidade e nenhuma delas viu a divisão dos pertences e valores da ação”.

Um inquérito policial foi aberto para investigar a agressão. Também será instaurado um Procedimento Administrativo Disciplinar, que pode culminar na expulsar dos militares da corporação.

O Ronda do Quarteirão já beira os quatro anos de existência no Ceará. Com atuação de polícia comunitária, o programa trouxe esperança e uma maior sensação de segurança no Estado.

Como proposta de aproximação entre policiais e população, a direção do projeto disponibiliza o telefone de cada veículo em seus respectivos trechos de atuação. O objetivo, além de diminuir o tempo de resposta ao chamado, era de humanizar o atendimento policial.

No entanto, desde o princípio, o projeto foi cercado de polêmicas. A primeira dizia respeito ao veículo escolhido: um carro tipo Hilux SW 4, com custo acima de R$ 150 mil cada.

Além disso, os soldados do Ronda já se envolveram em polêmicas, como serem flagrados dormindo nos veículos, entrando com os carros de polícia em motéis e, ainda mais grave, no assassinato do adolescente Bruce Cristian de Oliveira, de apenas 14 anos, morto por engano em julho de 2010.

(Uol)

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