De travesti desconhecida na Europa à diva do mundo gay. De um vídeo despretensioso postado no YouTube para amigos aos holofotes de emissoras de televisão e flashes de câmeras fotográficas. Assédio que chega a impedir Luísa Marilac, 32, de visitar Além Paraíba (MG), cidade onde nasceu, desde a volta da Espanha, no começo do mês, onde foi “fazer algo de diferente”…

No último sábado, 21, Marilac esteve em Fortaleza pela primeira vez. E comandou uma festa batizada com uma gíria inventada por ela mesma. A “Bons drink” aconteceu na Meet Music & Lounge. Antes de cair na farra, porém, Luísa bateu um papo descontraído com o Buchicho.

Foi por conta do sucesso na Internet que a travesti antecipou em sete meses a vinda para o Brasil. Há três semanas, viaja o País. Participa de festas e lota casas de shows. No Rio de Janeiro, colocou cinco mil pessoas numa boate. Mas foi o Ceará o escolhido por Marilac para a gravação do primeiro vídeo depois da volta.

Amanhã, o material deve estar disponível. “Vou falar dos programas que fiz, agradecer algumas pessoas e dar facadas em outras, porque eu não engulo desaforo”, adianta o que, segundo ela, será o começo de um trabalho profissional no YouTube. Equipes de produção e reportagem já foram escolhidas.

A diva dos “bons drink” está montando um estúdio em Guarulhos (SP). “Agora… tô juntando dinheiro para comprar as câmeras. Cada uma custa R$ 8 mil. Vamos pensar num tema e o pessoal vai pra rua entrevistar. No começo, vai ser uma coisa pequena. Mas eu vou parar o Brasil. Ou não me chamo Luísa”, decreta.

Foi Fortaleza também a eleita para ser uma espécie de refúgio. Marilac tem planos de morar na Capital. “Tenho planos de comprar uma casinha por aqui. Quando estiver frio em São Paulo, venho para cá e passo cinco meses. Acho o sotaque de vocês lindo e adoro o povo, sempre tão doce e gentil. E eu adoro riscar faca, meu amor”, fala, sobre a possibilidade de esbaldar-se em casas de forró.

Ex-prostituta da Europa (e sem arrependimentos quanto a isto), Marilac toparia ser apresentadora de televisão. E até posar nua. “Dinheiro na mão, calcinha no chão”, descontrai, adiantando: “não teria vergonha de mostrar o meu verdadeiro sexo”. Apesar de muita gente chamá-la de transex, ela não fez a operação de mudança de sexo.

Leis, ex-amores e nova gíria

Engana-se quem enxerga Luísa Marilac como uma marionete de palco de boate. Ela é crítica quando o assunto é política. Lamenta a aprovação da união estável homoafetiva no Brasil antes da lei de criminalização da homofobia. “É uma forma de iludir a gente, enquanto vão continuar agredindo e matando gay. Se não aprovarem, eu fico nua naquela Brasília. Já jurei pelos meus três sobrinhos”, revela.

Ela descarta, contudo, qualquer possibilidade de candidatar-se a cargos eletivos. Como diz, se acha pequena para bater de frente com tanto peixe grande. “Mas não é preciso ter estudo para saber que tem alguma coisa errada neste País. Um quilo de carne de primeira na Europa custa quatro euros. Um quilo de carne de segunda no Brasil custa 20 real (sic)”, atesta.

Depois de relacionamentos com jogadores de futebol e basquete e até donos de emissoras de televisão da Itália, Luísa Marilac aposta as fichas na empreitada de apresentações no Brasil. Se nada der certo, volta para a Espanha. A casa com piscina – alugada – na cidade de Roqueta Del Mare, onde o primeiro vídeo foi gravado para provar aos amigos que a vida estava de vento em popa, espera por ela.

Por enquanto, ela faz planos de tornar-se DJ e, assim, ganhar o carinho de muito mais gente. Aqui ou mundo afora. “Você não tem noção do prazer que foi ver uma menina chorando e um avião inteiro parando para tirar foto comigo. Quer carinho maior do que este? Já tomei tanta pedrada na vida que, quando acontecem essas coisas, a gente não acredita”, cita.

Para os já habituados aos “bons drink”, Marilac lança uma nova gíria. Antes de vir ao Brasil, ela deixou uma frase feita no velho mundo que pode bombar por aqui. Resultado da estreia desastrosa de uma amiga com cigarros. Foi vê-la engasgar para soltar a pérola: “adoooro essas que fuma e tosse (sic)”. Pronto. A moda pegou. “Na Itália e na Espanha, não se fala outra coisa”, brinca. E teve boatos de que ela estava na pior. Se isto é estar na pior…

Sete facadas!

Quando morava no Brasil, Luísa chegou a ser agredida em São Paulo. Levou sete facadas e foi parar no hospital. Quase morre.
Osama Marilac

Nem o apresentador da MTV, Marcelo Adnet, perdoou. Ele aproveitou a morte de Osama Bin Laden para fazer uma sátira de Marilac: http://bit.ly/joFqKL

E o ex-marido?

Apesar de o ex-marido ter fugido e casado com outra, ela admite: “você acredita que ainda amo aquele desgraçado? Meu sonho é encontrar com ele. Já cacei em tudo que foi canto, mas não encontro”.

Gíria na novela

As gírias inventadas por Luísa já foram usadas até em novela global. Semana passada, a personagem da atriz Deborah Secco em Insensato Coração, Natalie Lamour, reproduziu, na íntegra, a fala da travesti e deu ainda mais projeção aos vídeos. Ela disse: “e teve boatos de que eu estava na pior. Se isto é estar na pior…”.

Saiba mais!

Algumas pessoas aproveitaram o áudio do primeiro vídeo e fizeram montagens com propagandas estreladas por Xuxa e Sandy:

http://bit.ly/ifLs42

http://bit.ly/ejYWNe

Luísa se descobriu homossexual aos nove anos. E disse que procurou ajuda de psicólogos e chegou a frequentar igreja. “Até ter um caso com um pastor e deixar a congregação”.

(O Povo Online)

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