Claudia Assef & eletrônica – O Estado de S.Paulo

Quando escrevi minha coluna que foi publicada em 2 de abril aqui neste espaço A Música Eletrônica Cresceu Demais?, não tinha ideia da celeuma que estava prestes a causar. Deixa eu contextualizar para quem não leu: resumidamente, eu falava da invasão da música pop (lady gagas, etc.) no som dos clubes noturnos, coisa que eu nunca tinha visto antes – e olha que eu saio à noite desde os 13 anos!

Entrevistei dois empresários da noite (Facundo Guerra, do Volt, Z Carniceria, Vegas e Lions, e Renato Ratier, dono do D-Edge), com opiniões totalmente antagônicas. Pronto, o barraco estava armado.

A ideia não era causar tanto quiproquó, mas você sabe como notícia ganha vida extra nas redes sociais, turbinada por comentários – e quanto mais tórrido e corajoso o comentário, mais anônimo seu autor, infelizmente…

Como se diz em internetês, fui “trollada” (alvo de agressivos comentários anônimos) e também apoiada de muitas maneiras. Mas no final das contas eu só queria desabafar um assunto que há tempos me fazia pensar.

O lado bom de tudo isso é que muita gente parou para analisar a situação – tá pensando que noite e música eletrônica são bagunça, não são, não! Tanto é que a coluna Ouvido Absoluto serviu de inspiração para um encontro no festival de cultura de internet YouPix, realizado em abril. O debate, devidamente registrado no Caderno 2, pelo editor do Link, Alexandre Matias, botou na mesa questões interessantes, como a importância do DJ na era da internet e o fato de a noite ter virado uma extensão das redes sociais.

Ainda repercutindo o encontro, meu colega do portal Virgula e amigo de outros carnavais Camilo Rocha postou em seu ótimo blog Bate-Estaca que hoje os “DJs “profissionais” não têm mais o monopólio da novidade e dos recursos para montar e executar uma seleção de músicas (culpa, respectivamente, da internet e das novas tecnologias de software e hardware). Ao mesmo tempo, conseguir mobilizar uma galera para ir numa festa via Facebook passou a ser quesito valioso. E ter o playlist certo para ferver seus amigos na pista também, tipo festinha em casa. Acabam caindo no óbvio. Representam meio que uma volta ao tempo em que o DJ era meio jukebox.”

Muita gente interpretou o que escrevi como se eu estivesse detonando a música pop. Nada disso. Eu acho que o pop está aí pra cumprir a sua função na Terra, que é de entreter e agradar ao maior número de pessoas possível. E quando uma música cumpre a função para a qual ela foi criada, sou a primeira a reconhecer que ela é, então, uma boa música. Em nenhum momento fiz um juízo de valores ou disse que Lady Gaga é ruim. Só não me chame pra dançar esse tipo de som à noite, porque não vou mesmo.

E teve boatos de que a música eletrônica estava na pior. Se isso é estar na pior, o que quer dizer estar bem, né? Fico feliz de ter, de alguma forma, gerado tamanha discussão, ter botado tanta gente bacana para pensar e falar.

Mau Mau e Anderson Noise. Dois dos grandes DJs da música eletrônica nacional, o paulistano Mau Mau e o mineiro Anderson Noise, se encontram pela primeira vez numa faixa. Mau foi convidado pelo mineiro para remixar uma das músicas de seu novo disco, Machines Must Die, que tem lançamento mundial nas lojas digitais marcado para 1.º de junho.

O remix de Mau Mau está disponível a partir de hoje na loja online Beatport, gigante da internet na venda de faixas focadas para DJs e amantes da música de pista.

Esta é a primeira vez que os dois se encontram numa produção, mas a dupla já dividiu palco no encerramento do saudoso festival Skol Beats, em 2006.

Ainda sobre a dupla, ontem entrou no ar um especial na Rádio Noise com o DJ Mau Mau. Dá pra ouvir entrando no site do mineiro (www2.uol.com.br/noise/home.htm), um dos primeiros DJs brasileiros a investir em programação de rádio e vídeos online.

Enquanto o disco de Noise está prestes a bater nas lojas digitais, Mau Mau prepara um novo álbum, sucessor de Music Is My Life (2003) e Art, Plugs and Soul (2007), para setembro deste ano.

(Estadão Online)