O 40º título gaúcho do Inter caiu nos braços do capitão Bolívar depois de uma sinuosa trajetória, cheia de surpresas, reviravoltas e, claro, vitórias. Depois de começar o campeonato com um time B e aposentá-lo de repente, o grupo ainda se viu dividido em duas competições, abalado pela mudança de técnico e ainda com alteração no foco, após a queda precoce na Libertadores.

Depois de tantas barreiras, finalmente um desfecho feliz no último domingo, com a vitória sobre o Grêmio, no tempo normal e nos pênaltis.

No dia seguinte à conquista estadual, o clicEsportes relembra os motivos que levaram o Inter ao topo do Gauchão 2011.

Fim do Inter B

Após a derrota para o Cruzeiro, nas quartas de final da Taça Piratini, o vice-presidente de futebol, Roberto Siegmann, surpreendeu e decretou o fim do Inter B, time repleto de jovens promessas que disputava o Gauchão enquanto o grupo principal estava envolto com a Libertadores. A radical mudança enfatizava o valor que a direção conferia ao Gauchão. Valia muito, sim, e não seria bom negócio correr o mesmo risco no segundo turno.

— A partir de agora, o Internacional tem apenas uma equipe. Ontem (sábado) mesmo fiz uma reunião com a comissão técnica (principal) e tomei algumas decisões, com respaldo deles, que tinham a mesma opinião. Agradecemos ao Enderson Moreira, que não comanda mais a equipe B — disse Siegmann, em 20 de fevereiro de 2011.

Mudança de comando

Com o foco dividido em Gauchão e Libertadores, o time não agradava à torcida em nenhuma das competições. Apesar de resultados importantes em campo, Celso Roth sofria rejeição das arquibancadas. A queda foi acelerada após a derrota para o Jaguares, no México. No dia 8 de abril, a demissão, justificada por Siegmann exclusivamente pela queda de rendimento do time.
A chegada de Falcão, três dias depois, inflou os ânimos dos atletas e torcedores. O treinador deixou o clima no vestiário mais leve, atestavam jogadores, funcionários e dirigentes. Em entrevistas, o treinador ressaltava a busca pela “alegria” e a “compactação” no futebol colorado.

— No futebol, o ambiente precisa ser leve. O futebol é importante, sim. Mas não é uma guerra, é alegria. A gente tem que se divertir com seriedade. É isso que eu espero — opina.

Estreia de Falcão

Não foi de encher os olhos, mas a vitória de 1 a 0 sobre o Santa Cruz no Beira-Rio iniciou uma nova era num sábado sisudo, em 16 de abril. O gol de Leandro Damião, em jogada treinada e ensaiada durante a semana, dava uma nova percepção tática à equipe, agrupada em duas linhas de quatro e presentiada com o retorno de um companheiro de ataque ao centroavante. Falcão aprovou o recomeço no Inter:

— Gostei pelo pouco tempo de trabalho. O mais importante era ganhar. E não corremos riscos para isso — avaliou. — Foi uma vitória complicada, mas convincente. Gostei do comprometimento dos jogadores, eles jogaram felizes.

Vitória da raça em Caxias



Capacidade de superação. Com um jogador a menos, o Inter conseguiu superar o Juventude em pleno Alfredo Jaconi. Além de ter Bolatti expulso, outro componente dificultava a vida colorada: havia a pressão sobre o grupo, uma vez que a Taça Farroupilha era a última chance de se chegar à final do Gauchão (e o Grêmio já estava garantido lá). Tinga marcou o gol da vitória e da classificação à decisão do segundo turno.

— Nosso time é isto aí. Muito competitivo. Pedi muito a Deus para voltar o mais rápido possível. Pude entrar e ajudar a equipe a vencer — disse Tinga, que retornava de lesão naquela partida e marcou o gol decisivo.

Super Damião

Leandro Damião é um fenômeno. O centroavante soma, só neste ano, 21 gols – 17 deles no Gauchão. Chegou a marcar três gols em uma só partida em três oportunidades. Sozinho, fez quase a metade dos gols da equipe em todo o campeonato (37 gols).



Capacidade de superação. Com um jogador a menos, o Inter conseguiu superar o Juventude em pleno Alfredo Jaconi. Além de ter Bolatti expulso, outro componente dificultava a vida colorada: havia a pressão sobre o grupo, uma vez que a Taça Farroupilha era a última chance de se chegar à final do Gauchão (e o Grêmio já estava garantido lá). Tinga marcou o gol da vitória e da classificação à decisão do segundo turno.

— Nosso time é isto aí. Muito competitivo. Pedi muito a Deus para voltar o mais rápido possível. Pude entrar e ajudar a equipe a vencer — disse Tinga, que retornava de lesão naquela partida e marcou o gol decisivo.

Super Damião

Leandro Damião é um fenômeno. O centroavante soma, só neste ano, 21 gols – 17 deles no Gauchão. Chegou a marcar três gols em uma só partida em três oportunidades. Sozinho, fez quase a metade dos gols da equipe em todo o campeonato (37 gols).

Efeito Mazembe

Irritados e indignados com a repercussão da imprensa, os jogadores do Inter partiram com tudo para o Gre-Nal. Queriam reverter a imagem negativa enraizada após a eliminação na Libertadores a derrota no clássico do Beira-Rio. Falcão pediu para eles atuarem por “seus familiares”. Outro fator que deixou os colorados indignados foi o “efeito Mazembe” – notícia de que a equipe da República do Congo iria realizar uma preparação no Brasil e que desencadeou uma onda de brincadeiras por parte dos torcedores gremistas.

— Só tenho que agradecer a quem levantou o nome do Mazembe — ironizou Siegmann, afirmando que esse fator foi importante combustível para motivar o vestiário.

Soberania técnica

É unanimidade no Beira-Rio: a qualidade técnica do grupo decidiu o título, além da gana do time. D’Alessandro, Andrezinho, Oscar, Kleber e Bolatti. São todos bons exemplos de qualidade técnica apurada.

— O título foi ganho fundamentalmente na qualidade do grupo, debatendo a semana toda, estudando o posicionamento do adversário e tendo qualidade, porque não adianta pedir pela motivação, mexer nos brios dos atletas se tu não tiveres qualidade, posicionamento tático, se tu não tiveres estudado o adversário para chegar aqui dentro do Olímpico, vencer uma partida e conquistar o título — confirmou o presidente Giovanni Luigi, após a conquista.

Renan pegador de pênaltis

Na hora da decisão, Renan foi soberano. Após arrancar a temporada como reserva, venceu as dificuldades pessoais como a morte da mãe e recuperou a titularidade. Quando o time precisou contar com ele, compareceu. Na decisão do Gauchão, defendeu três cobranças de pênaltis e garantiu o título, recuperando-se de falha no terceiro gol do Grêmio.

— Nenhum time pode se dar por vencido. Um lance bobo ali, o Índio tirou a bola de mim. O Inter fez um bom jogo e não merecia sair daqui sem o título — festejou o goleiro colorado.

Zé Roberto

Titular com Celso Roth e preterido por Falcão, Zé Roberto ganhou espaço com a lesão de Rafael Sobis e teve a chance de atuar no Gre-Nal. Entrou ainda no primeiro tempo e se tornou protagonista. Com ele em campo, o Inter foi melhor do que o Grêmio e mereceu a vitória por 3 a 2. Zé Roberto deu o passe para Damião guardar o seu e ainda sofreu o pênalti do terceiro gol. Foi do jogador também a última cobrança na série de penalidades. Uma tarde perfeita para quem estava quase esquecido no sempre desconfortável banco de reservas.

— Com certeza. É como um recomeço – finalizou, um pouco antes de ingressar no ônibus do Inter, com a taça de craque da partida na mão.

(Zero Hora Online)