E lá veio a noiva… E entre todas as hipóteses cogitadas, a escolha do vestido não poderia ser mais acertada. Kate Middleton, agora princesa e duquesa de Cambridge, mostrou que está de olho no futuro sem abrir mão de seu status de princesa. Escolheu uma jovem estilista inglesa de uma marca consagrada pela criatividade e pelo rigor da alfaiataria: Sarah Burton para Alexander McQueen. Sarah assumiu o comando da marca há apenas um ano, depois do triste suicídio de McQueen que, ironia, tem até rainha no nome. Nas duas coleções criadas sob sua batuta, ela soube suavizar o estilo de McQueen sem perder sua força.


Juntas, Kate e Sarah chegaram a um modelo que remete à feminilidade resgatada após a 2.ª Guerra, época em que a rainha Elizabeth II e Grace Kelly, a princesa de Mônaco, casaram-se – e época também do famoso new look criado por Christian Dior. Sim, há alguma semelhança entre eles, como a cintura marcada, o uso da renda, a manga comprida ou a ampla saia, com anquinha arrematada por volumes construídos como pétalas de uma flor.

O vestido de gazar de cetim de Kate tinha delicados inserts de renda Chantilly francesa e de renda feita à mão pela Escola Real de Bordado do Palácio de Hampton Court – uma técnica irlandesa de 1820. Os artesãos que trabalharam com a renda lavavam as mãos a cada meia hora e trocavam as agulhas a cada três horas a fim de mantê-la absolutamente alva. A cauda de 2,70 metros merecia um pouco mais de comprimento – mas nada que chegasse perto dos 7,5 metros da cauda do vestido da princesa Diana, mãe do noivo William que morreu num acidente de carro em 1997.

A tiara veio dos anos 30: a Halo ou Scroll, de diamantes Cartier. Três semanas antes de assumir o trono, em 1936, o rei George VI (personagem do filme Discurso do Rei) deu a tiara à mulher dele, Elizabeth, a rainha-mãe. A bisavó de William, por sua vez, deu a tiara para filha Elizabeth em seu aniversário de 18 anos, que a emprestou agora à nova “neta”. O brinco, presente dos pais de Kate, era de pérola e diamante e foi criado especialmente por Robinson Pelhamm para compor com a tiara.

O buquê era singelo, mantendo a tradição real de reunir flores que simbolizam os países da coroa britânica, incluindo a murta que é retirada da mesma árvore plantada na Ilha de Wight pela própria rainha Victoria em 1845. Com um toque pessoal: a flor Sweet William. De fato, William estava “very sweet” com o imponente uniforme de Guarda da Irlanda, nitidamente mais nervoso do que a noiva. E não estranhe a não troca de alianças. O tradicional modelo de ouro vermelho de Gales só será usado por Kate. William não a usará, assim como seu pai, príncipe Charles, e seu avô, príncipe Philip.

Sem a frieza de grandes eventos e como manda o protocolo, a cerimônia foi tão impecável quanto comovente. Exceto na hora do beijo do casal na sacada do Palácio de Buckingham. Se Charles e Diana foram os primeiros a se beijar ali, William e Kate avançaram mais um pouquinho e se beijaram duas vezes, alegrando ainda mais a plateia global de 2,5 bilhões.

(Estadão)

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