RIO – Cerca de 200 policiais civis de diversas delegacias especializadas realizam, nesta terça-feira, uma operação na favela da Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul. Os policiais pretendem cumprir mandados de prisão contra Antonio Bonfim Lopes, o Nem, chefe do tráfico da comunidade, pessoas de sua confiança e familiares do traficante. Até agora, onze foram presos e quase três toneladas de maconha foram encontradas em um paiol na Rua 4 (atual Rua Nova). Os policiais também apreenderam 42 veículos e estouraram uma fábrica de DVDs piratas e um depósito de carros roubados. Segundo o delegado Rafael Willis, titular da Polinter, que coordena a operação, este último era o maior depósito de drogas dos traficantes da favela.

A chefe de Polícia Civil, delegada Martha Rocha, negou que a operação tenha vazado. Martha Rocha também não quis dizer se os presos têm algum parentesco com Nem.

– Não há nenhuma informação sobre esse tipo de comportamento de nenhum policial militar e nem da polícia civil. A polícia desconhece qualquer tipo de informação nesse sentido – negou.

Durante a manhã, policiais também encontraram eletrodomésticos ainda embalados em um barraco na localidade conhecida como Valão: 11 geladeiras, seis aparelhos de ar-condicionado, duas máquinas de lavar, quatro fogões, dois microondas, um aparelho de fax, uma TV de 21 polegadas e um depurador de ar. Nas proximidades desse local, o delegado da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC), Marcos Cipriano, disse que encontrou o escritório central de monitoramento de TV a cabo clandestina, conhecida como gatonet.

A operação resulta de sete meses de investigações dos pontos de vendas de drogas na favela.

Há também um mandado de prisão expedido contra o líder comunitário do bairro Barcelos, na Rocinha, Vandelan Barros de Oliveira, o Feijão. Segundo o Ministério Público, o acusado é um laranja da quadrilha de Nem. Policiais já estiveram na casa dele, na Vila Verde, mas não o encontraram.

Os agentes que participam da operação policial na Rocinha encontraram a casa do bandido Coelho, chefe do tráfico do Morro do Querosene, no Complexo de São Carlos, recentemente pacificada. O traficante não foi encontrado. Coelho fugira para a Rocinha desde a ocupação policial na favela da Zona Norte. Os policiais prenderam, no entanto, um traficante conhecido como Miséria, apontado como segurança de Coelho. Ele também veio fugido do São Carlos.

A operação, que é organizada pela Polinter, recebe apoio de helicópteros e de um carro que recebe as imagens feitas pelas aeronaves e são transmitidas para a base das Operações Aéreas, na Lagoa, e também para a chefia de polícia. Os policiais contam ainda com um carro blindado. O tráfego de veículos na Autoestrada Lagoa-Barra e no Túnel Zuzu Angel não foi interrompido.

A polícia vem buscando prender familiares e comparsas de traficantes porque boa parte dos bens provenientes do tráfico estão nas mãos de laranjas. O sequestro mexe diretamente com o financiamento do crime e abala a quadrilha. Em novembro do ano passado, a Polícia Civil fez outra grande operação para prender familiares de traficantes. Foram expedidos pela Justiça sete mandados de busca e apreensão e nove de prisão contra parentes de quatro traficantes que teriam orquestrado uma série de ataques no Rio: Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP; Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco; Alexander Mendes da Silva, o Polegar; e Márcio Batista dos Santos, o Dinho Porquinho. Três mandados foram expedidos também contra advogados acusados de levar informações do tráfico.

(O Globo Online)

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