O Sada/Cruzeiro recebeu uma multa de R$ 50 mil pelo caso de homofobia de sua torcida no primeiro jogo das semifinais da Superliga masculina contra o Vôlei Futuro há duas semanas.

O time foi julgado nesta quarta-feira pela Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Vôlei (STJD) em razão das reclamações do central Michael e sua equipe.

Os mineiros foram denunciados por “praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem sexual”, previsto no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD).

A multa podia chegar a R$ 100 mil. A decisão unânime, segundo o site Justiça Desportiva.

Na sexta-feira, 1º de abril, Michael foi vítima de uma manifestação generalizada de homofobia vinda das arquibancadas do ginásio do Riacho, em Contagem (MG), casa do time rival, o Cruzeiro. O time da casa venceu o jogo por 3 sets a 2.

“Foi a primeira vez que vi um ginásio inteiro gritando ‘bicha’ em alto e em bom som”, afirmou o atleta.

No julgamento, o advogado Henrique Saliba, que defendia o Cruzeiro, afirmou que não houve ato discriminatório por parte da torcida pois esta não conhecia a orientação sexual do atleta.

“O Michael não é um atleta conhecido nacionalmente, e por isso não era de domínio público a sua opção sexual. Isso só ocorreu depois do julgamento, quando o Michael deu uma entrevista assumindo ser homossexual”, disse o advogado ao pedir a absolvição do clube.

Já a advogada Miriam Simões, que representou o Vôlei Futuro, segundo o site Justiça Desportiva, ficou inconformada com a decisão de denunciar o Cruzeiro apenas em artigo que prevê uma multa.

O desejo do clube paulista –que venceu a segunda partida em Araçatuba– era mudar o local do jogo decisivo, nesta sexta-feira, às 20h30, novamente em Contagem.

Todos os 2.000 ingressos colocados à venda foram vendidos em apenas 35 minutos.

“Foi uma decepção esta decisão. É inadmissível que só se multe o clube em uma questão tão grave, porque a discriminação foi absurda. Venceu o preconceito”.

(Folha Online)

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