O Brasil é uma ótima oportunidade de investimento para fundos estrangeiros. Essa afirmação foi repetida várias vezes durante o Congresso Abvcap 2011, que está sendo realizado em São Paulo pela Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital. Para todos os participantes – brasileiros e estrangeiros – está na hora de o país receber mais investimentos de longo prazo.

“Com inflação estável há muitos anos, boa reserva de exportação e dívida externa sob controle, os fundos de investimento encontram aqui uma ótima oportunidade para aportes de longo prazo”, afirma Sidney Chameh, presidente da Abvcap. Entre os setores mais cobiçados estão o de infraestrutura, que deve crescer muito com as obras necessárias para os eventos esportivos (Copa de 2014 e Olimpíada de 2016); o de energia e combustíveis, cuja exploração do pré-sal deve alçar o país da 17º para a 8ª colocação entre os grandes produtores de petróleo; e o de construção civil, no qual o déficit brasileiro é de aproximadamente 8 milhões de moradias.

Todas estas oportunidades estão bem claras para quem detém o dinheiro. Uma pesquisa realizada pela Deloitte, com diversos fundos de investimentos, apurou que 100% dos entrevistados acreditam que os investimentos externos no Brasil serão mantidos ou crescerão nos próximos anos. Nenhum deles acredita em queda.

Mas será que esse maior interesse pelo Brasil deve tornar o país um investimento mais caro? Fernando Borges, diretor do fundo Carlyle South America, acredita que o mercado brasileiro está mais caro em relação aos preços de 5 anos atrás, no entanto, ainda está mais barato que investir na China e na Índia.

O crescimento do PIB brasileiro também conta a favor dos investidores. Antes de o Brasil começar a trajetória de crescimento, a única forma de os fundos ganharem dinheiro era comprar empresas por um preço muito barato e vendê-la por um valor mais alto. “Hoje esse tipo de barganha não existe mais, em compensação, com o crescimento local fica mais fácil aumentar o faturamento e o Ebtida de uma empresa adquirida para ganhar um retorno”, afirma Borges, do Carlyle.

A concorrência entre fundos também é pequena em relação a outros países. Enquanto nos Estados Unidos os fundos realizam verdadeiros leilões para investir numa empresa, o cenário brasileiro é muito diferente. “Está muito longe disso. Cada private equity encontra seu nicho e não concorre com os demais. Na China ou na Índia isso não existe mais”, diz Patrice Etlin, sócio da Advent International.

Se o Brasil oferece uma boa oportunidade e os fundos estão interessados em colocar dinheiro aqui, o que falta para que essas cifras cresçam? “Temos que dar tempo ao tempo. É um processo natural e que não tem volta. Estamos no caminho certo”, afirma Ricardo de Carvalho, consultor da Deloitte.

(Por Silvia Balieiro – Epoca Negócios)