PARIS e ABIDJÃ – O presidente da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, foi detido nesta segunda-feira em sua residência, após o primeiro ataque terrestre de tropas da França, que há dias tentam forçar sua retirada. Toussaint Alain, um aliado de Gbagbo, disse que ele teria sido preso por forças francesas e estaria sob o poder da oposição. A embaixada da França no país africano informou, porém, que forças da oposição detiveram o presidente.

– Gbagbo foi preso por forças especiais da França em sua residência e foi entregue aos líderes rebeldes – afirmou o aliado de Ggbagbo, na França.

Mais cedo, tropas terrestres da França entraram pela primeira vez no centro da cidade de Abidjã, capital financeira da Costa do Marfim. Um comboio com mais de 30 veículos blindados avançou em direção à residência de Gbagbo, enquanto helicópteros atiraram na área próxima ao local.

– Os veículos estão avançando e há soldados (franceses) sob a cobertura de um helicóptero – disse Alfred Kouassi, morador de Abidjã. – Podemos ouvir tiros de armas automáticas – acrescentou.

Um dia depois de helicópteros da ONU e da França atacarem novamente as forças leais a Gbagbo, atingindo a residência presidencial e destruindo armamentos, o porta-voz do Exército francês disse que o objetivo da operação era evitar um “banho de sangue”.

– A operação está em curso. Não posso dar mais detalhes. O objetivo é assegurar que um banho de sangue seja evitado – disse Frederick Daguillon.

A França, ex-potência colonial da Costa do Marfim, tem mais de 1.600 tropas no país e assumiu a liderança das operações para convencer Gbagbo a sair da Presidência. Ele se recusa a ceder o poder a seu rival Alassane Ouattara, que venceu a eleição presidencial de novembro, segundo resultados certificados pela ONU, levando a uma guerra civil no país que já deixou centenas de mortos e mais de um milhão de exilados.

Moradores afirmaram terem visto uma intensa troca de tiros nesta manhã entre as forças de Gbagbo e Ouattara nos distritos de Cocody e Plateau, ainda controlados pelas forças do presidente. Um porta-voz de Gbagbo em Paris disse mais cedo que o presidente ainda continuava vivo após o bombardeio à sua residência no domingo.

(O Globo Online)

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