Santa Quitéria. As irmãs siamesas Maria Clara e Maria Clarice já estão em casa. A chegada foi festejada por milhares de pessoas, que foram ao Terminal Rodoviário Francisco Figueiredo, na tarde de sábado, aguardar o desembarque. Numa viatura do Corpo de Bombeiros, as irmãs, na companhia dos pais, Francisca Regina e Jorge dos Santos, seguiram em carreata até o bairro Pereiro. “Esse é momento de festa, que ninguém quis perder, até os comerciantes da cidade estão aqui para celebrar esse momento”, disse Marcelo Magalhães, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Santa Quitéria.

Ao chegar em casa, o pai das crianças contou, aliviado, detalhes da cirurgia e a vida que suas filhas terão daqui para frente. “Elas serão acompanhadas por uma psicóloga e por uma nutricionista. O peso delas está entre 9,5 e 10 quilos, cada uma”.

Sobre a cirurgia, ele contou que os médicos do Hospital das Clínicas demonstraram alta confiança e segurança no pós-operatório. “Eles (médicos) sempre nos confortavam, dizendo que a operação seria de grande sucesso. E terminou sendo, graças a Deus”, disse Jorge dos Santos.

A vida de Maria Clara e Maria Clarice será normal, acredita a mãe, Francisca Regina. “Os médicos disseram que elas serão iguais a qualquer outra criança e no futuro poderão se casar e ter filhos normalmente”, relata a mãe. O acompanhamento das gêmeas ficará sob a responsabilidade do Hospital Infantil Albert Sabin, em Fortaleza.

Na casa da família, mais uma multidão aguardava a chegada, animados pelo grupo de tambores da ONG Amigos do Futuro, projeto destacado da Casa Amiga da Juventude. As meninas entraram em casa ao som da música “Jesus Cristo”. A grande recepção foi organizada pela CDL e Associação dos Filhos e Amigos de Santa Quitéria (Afasq) e contou com o apoio da Prefeitura e de segmentos da sociedade quiteriense.

A cirurgia que separou as gêmeas aconteceu no último dia 3. As despesas médicas, conforme decisão do juiz Francisco Eduardo Torquato Scorsafava, da 2ª Vara da Fazenda Pública de Fortaleza, estão sendo pagas pelo Estado, a partir de uma decisão da Justiça de janeiro.

Maria Clara e Maria Clarice nasceram ligadas pelo abdômen. No dia seguinte ao nascimento, foram transferidas para a Santa Casa de Misericórdia de Sobral e, em seguida, para o Hospital Albert Sabin, em Fortaleza, onde foram realizados os exames para separá-las.

(Diário do Nordeste)

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